segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Adeus não! À BIENTÔT!

Ensinar é, também, aprender. Aprendi com uma aluna que participa do programa Building Global Friendship da organização Children’s International Summer Villages (CISV), fundada pela psicoterapeuta Dóris Allen, que estabelecer laços afetivos nos ajuda a transpor barreiras e a derrubar os muros invisíveis da intolerância. Ela me relatou que, por meio da sua participação nos programas educacionais promovidos pela CISV, aprendeu, entre outras coisas, que os países não são meras entidades geopolíticas, conforme estudamos nas escolas formais, mas, sim, unidades afetivamente construídas. Hoje, quando ela observa, por exemplo, o mapa-múndi e localiza um país no qual já esteve, vê o rosto do amigo ou amigos que conquistou (sim, amizade é uma conquista). Assim, aquele espaço político-administrativo deixa de ser uma abstração e se transforma numa concretude cunhada pelo afeto.

Pensando nisso, cheguei à conclusão de que é justamente o afeto que me une ao Québec. Quando localizo no mapa o pedaço do mundo denominado de Québec enxergo não uma unidade político-administrativa fria como todas as outras, mas, sim, os belos rostos de duas quebequenses que atendem pelo nome de Christiane e Anne-Marie. Por causa delas o Québec deixou de ser um lugar distante, quase perdido na região norte do planeta. Agora, o Québec é um lugar próximo a Salvador, talvez tão próximo quanto Aracaju, Canudos, Rio de Janeiro, Belo Horizonte ou mesmo São Paulo. Os lugares são as pessoas. Nessa perspectiva, a noção de próximo e distante passa, necessariamente, pelo coração. Por isso, quando Christiane partiu, combinamos que não diríamos adeus, pois o tempo do adeus é longo e impreciso, adequado para nos referirmos às abstrações político-administrativas. Bientôt é mais apropriado para quem se uniu de bom grado por meio do afeto. Por isso eu digo à bientôt Québec (por Sílvio Benevides).
*
Imagem: Flor de Lis, por João Cabral.

5 comentários:

Gina Carla disse...

É verdade, amigo Silvio!!
Eu também vejo o rostinho dessas queridas amigas quando vejo o mapa.
Eu adoro Québec, mas foram elas(Chris e Anne), com o jeito delas me apresentaram a essa província, o jeito que elas me receberam em sua cidade todas as vezes que fui, as novas pessoas que elas me apresentaram (que hoje são também novos amigos), o jeito de receber os amigos que levei...que me conquistou e que me fez desejar retornar sempre.
Sim, voltarei mais vezes a Québec principalmente porque sei que reencontrarei minhas amadas amigas e levarei novos amigos comigo para também serem conquistados.
E mesmo no frio de -40ºC (quando retornarei um dia) meu coração será aquecido com o calor da amizade dessas amigas e a linda relação de amor e amizade que construímos.
Je t'aime Québec!
Je me souviens!
Á bientôt mes amis!!
Gina.

Anne Marie disse...

Amigo, quase chorei ao ler esse texto. Adorei e saiba que penso igual a você. Mal posso esperar para passar tempo aqui com você de inverno na neve. Patinar no gelo, escuregar em ladeira de toboggan, fazer homenzinhos de neve...
Você sabe que é sempre bemvindo aqui !
Um grande abraço.

Christiane Viens disse...

SILVIO, você atingiu meu coração com esse texto maravilhoso !
ADOREI ! OBRIGADA !
Também : À bientôt Salvador !
A bientôt Silvio !

Carla Reis disse...

Poxa, se passaram 6 anos e 4 meses desse texto. Tudo parece tão recente!
Continuo pensando no lugar com as pessoas.
Quanta coisa mudaram nas nossas vidas e continuamos nosa amizade .

Unknown disse...

Então não é?! Nem lembrava desse texto, mas gosto dele. E depois de sete anos continuo pensando igual. Sim os lugares são as pessoas e hoje a dimensão do afeto é uma certeza cada vez mais presente. Ao reler esse texto, aumentou a saudade.