terça-feira, 28 de setembro de 2010

“Sejamos preguiçosos em tudo, exceto em amar e em beber, exceto em sermos preguiçosos” LESSING

Como já escreveu o Chico Buarque de Holanda, “há dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”. Não é o meu caso. Ao menos não no dia de hoje. Meu caso é, na verdade, de preguiça. Estava a pensar na postagem desta semana, mas a preguiça, esta esfuziante companheira, sempre a me dizer ao pé do ouvido, bem à moda do poeta Juvenal Antunes: mas Sílvio estás a trabalhar! Larga este teclado e vai dormir...sonhar... Como resistir a tão nobre apelo? Entretanto, para não perder o hábito de postar algo novo toda semana, decidi reproduzir o texto do genro do Karl Marx, o socialista de origem cubana, Paul Lafargue. Seu texto, “O direito à preguiça”, é tudo que eu sempre quis escrever, mas a preguiça não permitiu. Sendo assim, boa leitura.

UM DOGMA DESASTROSO

Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho. Homens cegos e limitados quiseram ser mais sábios do que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis quiseram reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara. Eu, que não confesso ser cristão, economista e moralista, recuso admitir os seus juízos como os do seu Deus; recuso admitir os sermões da sua moral religiosa, econômica, livre-pensadora, face às terríveis conseqüências do trabalho na sociedade capitalista.

Na sociedade capitalista, o trabalho é a causa de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica. Comparem o puro-sangue das cavalariças de Rothschild, servido por uma criadagem de bímanos, com a pesada besta das quintas normandas que lavra a terra, carrega o estrume, que põe no celeiro a colheita dos cereais. Olhem para o nobre selvagem, que os missionários do comércio e os comerciantes da religião ainda não corromperam com o cristianismo, com a sífilis e o dogma do trabalho, e olhem em seguida para os nossos miseráveis criados de máquinas.

Quando, na nossa Europa civilizada, se quer encontrar um traço de beleza nativa do homem, é preciso ir consumí-lo nas nações onde os preconceitos econômicos ainda não desenraizaram o ódio ao trabalho. A Espanha, que, infelizmente, degenera ainda se pode gabar de possuir menos fábricas do que nós prisões e casernas; mas o artista regozija-se ao admirar o ousado Andaluz, moreno como as castanhas, direito e flexível como uma haste de aço; e o coração do homem sobressalta-se ao ouvir o mendigo, soberbamente envolvido na sua capa esburacada, chamar amigo aos duques de Ossuna. Para o Espanhol, em cujo país o animal primitivo não está atrofiado, o trabalho é a pior das escravaturas. Os Gregos da grande época também só tinham desprezo pelo trabalho: só aos escravos era permitido trabalhar, o homem livre só conhecia os exercícios físicos e os jogos da inteligência. Também era a época em que se caminhava e se respirava num povo de Aristóteles, de Fídias, de Aristófanes; era a época em que um punhado de bravos esmagava em Maratona as hordas da Ásia que Alexandre ia dentro em breve conquistar. Os filósofos da antigüidade ensinavam o desprezo pelo trabalho, essa degradação do homem livre; os poetas cantavam a preguiça, esse presente dos Deuses: O Meliboe, Deus nobis hoec otia fecit. Cristo pregou a preguiça no seu sermão na montanha: “Contemplai o crescimento dos lírios dos campos, eles não trabalham nem fiam e, todavia, digo-vos, Salomão, em toda a sua glória, não se vestiu com maior brilho”. Jeová, o deus barbudo e rebarbativo, deu aos seus adoradores o exemplo supremo da preguiça ideal; depois de seis dias de trabalho, repousou para a eternidade.

Em contrapartida, quais são as raças para quem o trabalho é uma necessidade orgânica? Os “Auvergnats”; os Escoceses, esses “Auvergnats” das ilhas britânicas; os Galegos, esses “Auvergnats” da Espanha; os Pomeranianos, esses “Auvergnats” da Alemanha; os Chineses, esses “Auvergnats” da Ásia. Na nossa sociedade, quais são as classes que amam o trabalho pelo trabalho? Os camponeses proprietários, os pequeno-burgueses, uns curvados sobre as suas terras, os outros retidos pelo hábito nas suas lojas, mexem-se como a toupeira na sua galeria subterrânea e nunca se endireitam para olhar com vagar para a natureza.

E, no entanto, o proletariado, a grande classe que engloba todos os produtores das nações civilizadas, a classe que, ao emancipar-se, emancipará a humanidade do trabalho servil e fará do animal humano um ser livre, o proletariado, traindo os seus instintos, esquecendo-se da sua missão histórica, deixou-se perverter pelo dogma do trabalho. Rude e terrível foi a sua punição. Todas as misérias individuais e sociais mereceram da sua paixão pelo trabalho (por Paul Lafargue).

É isso aí. Nessa época de desconstruções, precisamos rever paradigmas. No mais, até a próxima semana se a preguiça permitir. Um beijo preguiçoso deste que vos escreve, Sílvio Benevides.
Imagem: Kadu, um beagle preguiçoso, por Sílvio Benevides.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Muito além do chinfrim: O Barbeiro de Sevilha em Salvador

Quando visitei a Alemanha pela primeira vez, no verão europeu de 2005, passei os últimos dias da viagem em Frankfurt am Main. Na cidade do Goethe, meu passatempo predileto era contemplar o pôr-do-sol na Opernplatz, enquanto saboreava um belo sorvete. Das escadas do Alte Oper gostava de ver a vida passar de um lado para outro, por vezes calma, tranqüila, por vezes apressada. Naquele final de julho estava em cartaz no imponente teatro o espetáculo “Tristão e Isolda”. Interessante foi observar os espectadores da famosa ópera. Gente de todo tipo adentrava o Alte Oper para apreciar a obra do compositor alemão Richard Wagner. De sisudos senhores e senhoras caprichosamente bem trajados, a jovens ruidosamente descontraídos, passando por belas e exuberantes mulheres escandalosamente vestidas e seus acompanhantes metidos em smokings de corte impecável. De todos esses tipos, os adolescentes foram os que mais me chamaram atenção. Traziam na cara, nos cabelos, na pele e nas roupas os sinais das tribos às quais pertenciam. Fiquei, então, a imaginar se na minha terra, que é a mesma do Castro Alves, uma ópera atrairia tantos jovens assim. Esperei cinco anos para comprovar que sim.

Na última semana esteve em cartaz em Salvador, no Teatro Castro Alves (TCA), a ópera “O barbeiro de Sevilha”, do compositor italiano Gioacchino Rossini. Encenada pela Companhia Brasileira de Ópera, dirigida pelo maestro John Neschling, a magnífica montagem trouxe um alento para a cidade, tão empesteada por manifestações artísticas chinfrins. Encenado de maneira inusitada, o espetáculo misturou no palco elementos típicos do teatro com recursos visuais e tecnológicos que, segundo a produção, “nunca antes foram utilizados no meio operístico”. O resultado lembra algumas produções cinematográficas a exemplo de “Mary Poppins” e “Você já foi à Bahia”, ambos dos estúdios Disney, pois, assim como nestes filmes, a encenação também permite a interação entre atores/cantores de carne e osso com personagens de desenho animado. Para os produtores, “a integração entre cantores, maestro e orquestra com os elementos filmados e desenhados produz efeitos cênicos de grande comicidade e teatralidade, inalcançáveis em encenações convencionais”. De fato, o que se vê é um espetáculo lúdico e grandioso, como convém a uma ópera.

Para alguns espectadores a experiência foi deveras encantadora: “Saí encantada do TCA. Mesmo cansada após um dia com muito corre-corre, venci o sono durante as 2h40min da apresentação. Mas venci graças a essa produção encantadora e que prendeu o público durante os dois atos. Acredito que Rossini nunca imaginaria que sua ópera se tornaria tão popular e muito menos que seriam utilizados recursos tão interessantes para torna a apresentação leve e bem humorada. Os cantores contracenam em um cenário feito por animações, fazendo uma excelente utilização do audiovisual. Foi como assistir a um desenho animado ao vivo”, disse a psicopedagoga Gina Reis.

O mais legal de toda essa história foi perceber que, ao contrário do que apregoam os imbecis, há, sim, espaço para esse tipo de produção em Salvador. O TCA esteve lotado em todos os dias das apresentações. Tal qual na Opernplatz, havia gente de todo tipo, inclusive jovens, muitos jovens, de variadas tribos, adolescentes e, até mesmo, crianças. Apesar das diferenças, o que havia em comum entre todos os espectadores era o desejo de apreciar uma manifestação artística que passava longe, muito longe da estética “axelizante” e “pagodizante” que contaminou a arte soteropolitana. Nada contra o chinfrim. No mundo há espaço para tudo e todos. Entretanto, é irritante constatar que numa cidade com enorme potencial artísticos, onde há tantos artistas magníficos, com propostas estéticas inovadoras e audaciosas, uma platéia ávida por conhecer tais propostas, a aposta é o chinfrim, pois os ineptos gestores culturais locais valorizam tão somente o chinfrim. Mais irritante, ainda, é ouvir a imprensa local e alguns pseudo-intelectuais ovacionarem o chinfrim como a grande contribuição da Bahia para a cultura brasileira e para o mundo. Foi-se o tempo. Agora, vivemos o império do chinfrim. Seguindo assim, Salvador jamais deixará de ser aquela provinciazinha, incansavelmente satirizada nos versos infernais do Gregório de Mattos (por Sílvio Benevides).
Imagem: Divulgação

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Falso Testimonio

No último dia 09 de setembro assisti na sala principal do Teatro Castro Alves (TCA) o espetáculo de dança Falso Testimonio, na abertura do III Festival Latino Americano de Teatro da Bahia (FILTE), que acontecerá até o próximo dia 19 de setembro. O espetáculo é uma produção da BoanDanz Action Company, uma companhia de dança fundada na Filadélfia (EUA) em 2005 pela coreógrafa cubana Marianela Boan.

De acordo com a sinopse do espetáculo, Falso Testimonio “apresenta uma maneira totalmente nova de integrar dança, vídeo e música ao vivo, combinando inteligência, graça, perfeição e um sofisticado uso da tecnologia para falar sobre o mundo computadorizado de hoje”. Trata-se, segundo a coreógrafa Marianela Boan, de uma apaixonada e poderosa obra que explora a vida na era “pós-tecnológica”, questionando “quais são os vínculos emocionais entre os humanos e a imagem” e a influência desta nas relações afetivas humanas.

Após o espetáculo, tive absoluta certeza que não apenas Deus está morto, conforme apregoou Nietzsche, mas, também, o autor, ou melhor, o Deus-Autor, como discorreu o Roland Barthes no seu conhecido texto “A Morte do Autor”. Disse ele: “sabemos agora que um texto não é feito de uma linha de palavras, libertando um sentido único, de certo modo teológico (que seria a “mensagem” do Autor-Deus), mas um espaço de dimensões múltiplas, onde se casam e se contestam escritas variadas, nenhuma das quais é original: o texto é um tecido de citações, saldas dos mil focos da cultura”. Para mim, espectador, foi outra a leitura que fiz do Falso Testimonio.

Sim, o espetáculo fala sobre sentimentos, mas não daqueles vinculados à imagem ou à tecnologia. Mas daqueles presos e encarcerados no fundo das almas e que, desesperados e inquietos, anseiam explodir. No decurso natural da vida o movimento é um ato que não pode ser detido, muito menos confinado em um armário qualquer. O mesmo ocorre com o desejo. Cedo ou tarde ele lateja e explode em fúria por ter sido encarcerado. O desejo é como um rio. Não se pode impedir que ele corra. No palco vimos duas mulheres encaixotadas que se batem e rebatem em busca de ar. Elas encontram uma saída, mas as forças repressivas as empurram de volta para caixa. Embora escondido, ainda assim, o desejo nos é visível. Ele está sempre ali até o instante da fúria, quando as duas bailarinas se debatem raivosas até rasgarem suas roupas, signo da repressão. Um espetáculo tenso e, também, denso que vale a pena ser visto. Mas prepare seu espírito, pois o texto da Marianela Boan é um discurso inacabado. Aqui não se trata de uma personagem em busca de um autor, mas, sim, de uma artista em busca de uma estética. Esta foi a leitura que fiz. Mas é claro que ela bem pode ser um falso testemunho (por Sílvio Benevides).
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Imagem: Falso Testimonio, por Paige Ozaroski.

Passado e presente da globalização: Salvador – Hamburgo – Marselha

De um ano para cá, o Goethe-Institut/ICBA vem organizando o projeto multidisciplinar Salvador-Hamburgo: Passado e Presente da Globalização cujas etapas se realizaram sempre em intensa colaboração com as instituições parceiras alemãs e, em primeiro lugar, baianas. No segundo semestre de 2009, o Goethe-Institut e a Aliança Francesa de Salvador convidaram fotógrafos brasileiros para participar do projeto Salvador/Hamburgo/Marselha: Passado e Presente da Globalização, desdobramento fotográfico do projeto maior. O projeto contou com o apoio financeiro do Fundo Franco-Alemão para a Cooperação Cultural.

Um júri foi composto pelos profissionais Márcio Lima (fotógrafo), Marcondes Dourado (artista de vídeo) e Mário Vitor de Souza (Arquitetura/UFBA), que selecionaram os fotógrafos Cassio Vasconcellos, de São Paulo, e Gaio Matos, de Salvador, para uma residência artística em Hamburgo, no caso de Cássio, e Marselha, para Gaio. O fotógrafo alemão Bernd Kleinheisterkamp e o francês Olivier Dubuquoy se deslocaram para Salvador para participar da etapa local do projeto. As quatro residências se deram de outubro a novembro de 2009, cada uma com de duas a três semanas de duração.

Em 9 de setembro foram abertas as duas exposições paralelas, no Goethe-Institut e na Aliança Francesa, as quais apresentarão ao público os resultados das residências, com, ao todo, 80 fotografias, ou seja, 20 por artista. As fotografias registram as marcas deixadas nas três cidades portuárias pela dinâmica da globalização, desde as conquistas territoriais do passado até as grandes transformações do século XXI. Na ocasião da abertura, o Goethe-Institut/ICBA lançou o catálogo Salvador-Hamburgo: Passado e Presente da Globalização, que reúne as seis demais atividades realizadas no âmbito do projeto.A exposição ficará aberta ao público até 16 de outubro.

OS FOTÓGRAFOS

Bernd Kleinheisterkamp
Nasceu em 7 de novembro de 1973, em Münster, Alemanha. Freqüentou a Academia das Artes em Ljubljana, na Slovênia (2001) e a Universidade de São Paulo (2004). Em 2007, recebeu o diploma de Fotografia, como orientando do Prof. Jörg Sasse. Vive atualmente em Bruxelas.

Cassio Vasconcellos
Nasceu em São Paulo, em 1965. Iniciou sua trajetória na fotografia em 1981, na escola Imagem-Ação. Durante sua carreira, seu trabalho pessoal, sempre voltado a projetos artísticos, percorreu muitas galerias e museus, no Brasil e pelo mundo. Freqüentemente é convidado a desenvolver novos projetos, como o "Arte/Cidade", em 1994 e 2002.

Gaio Matos
Um dos artistas mais reconhecidos da nova geração baiana, tem participado de importantes mostras nacionais e internacionais, a exemplo da III Bienal do Mercosul (2004). Em 2008 realizou residências artísticas em Bombaim, decorrente da premiação no XIV Salão do MAM-BA, e em Paris, proporcionada pela Fundação Sacatar.

Olivier Dubuquoy
Fotógrafo e geógrafo. Divide suas atividades entre a pesquisa, as reportagens fotográficas e o ensino na Universidade de Provença. Desenvolve uma cartografia sensível, que não se dispõe a ser objetiva. Já apresentou a exposição Photos de Villes de la Méditerranée (2008), na Fête de la Méditerrannée, em Marselha, e, juntamente com Jean-Claude, expôs Carbonne Rives et Dérives en Méditerranée (2007). Além disso, foi repórter fotográfico de uma missão da Associação Médecins du Monde, na Tanzânia em 2007 (Fonte: Informationszentrum & Bibliothek/Goethe-Institut/Salvador-Bahia).
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Imagem: Cartaz promocional da exposição.

Homofobia fora daqui!

Como previsto, a 9ª Parada Gay teve inicio com as falas das autoridades às 14h30 com a chegada da madrinha, a Primeira Dama da Bahia, Fátima Mendonça. Antes de entregar a faixa, Luiz Mott, historiador, antropólogo e fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), fez uso da palavra e, claro, não deixou de dizer seu mote predileto “A Bahia é gay”. Em seguida, o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis, (ABGLT), Toni Reis, acompanhado do seu marido David Harand, fez uso da palavra e na sua fala pontuou que o atual Governador da Bahia e candidato a reeleição, Jacques Wagner, foi o único na região que assinou o Termo de Compromisso em promover políticas de combate à homofobia na Bahia.

Logo após a fala de Toni Reis, a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, madrinha da Parada do ano anterior, passou a faixa a Fátima Mendonça. No seu discurso Moema Gramacho, convidou a população para que vá a Lauro de Freitas prestigiar a Parada municipal no dia 10 de outubro próximo.

Aparentando felicidade, com pouca maquiagem, discreta, mas elegante a Primeira Dama recebeu das mãos de Moema a faixa de madrinha, confeccionada pelo artista Carlos Tamba. No seu discurso rápido ela disse da felicidade de receber esse reconhecimento. “Eu amo todos vocês, e quero que vocês me amem também”, disse e ainda citou uma frase da bíblia sobre o amor. Após receber a faixa ela desceu do trio e seguiu junto com o povo em sua Fobica vermelha. As 15h a Parada começou sua evolução em direção a Praça Castro Alves, voltando ao inicio pela Rua Carlos Gomes.

Na opinião de Luiz Mott a Parada conseguiu reunir de 900 a 1 milhão de pessoas no Centro de Salvador. Fora os pequenos furtos de máquina fotográfica, celulares e acessórios pessoais como colares e pulseiras até as 20h30 a Policia Militar não havia registrado nenhuma ocorrência mais grave. Nem mesmo a chuva fina que durou cerca de duas horas não conseguiu ofuscar o brilho da festa nem a participação popular.

A Parada Gay depois do movimento Diretas Já é o movimento que mais consegue reunir pessoas nas ruas. O tema desse ano foi Homofobia Fora Daqui! Por uma Bahia, sem Racismo, Machismo e Homofobia. Uma realização do Grupo Gay da Bahia (Fonte: GGB).
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Imagem: Cartaz da 9ª Parada Gay, Salvador-BA.

domingo, 5 de setembro de 2010

Poema Falado: Ideias Íntimas (Lira dos vinte anos)

De acordo com a filosofia, o desejo pode ser entendido como uma tensão em direção a um fim considerado uma fonte de satisfação pela pessoa que deseja. Trata-se, pois, de uma tendência algumas vezes consciente, outras vezes inconsciente ou reprimida. Quando consciente, o desejo se configura como uma atitude mental que acompanha a representação do fim esperado. Este, por sua vez, nada mais é do que o conteúdo mental relativo ao ato de desejar. O desejo não pode ser confundido com a necessidade fisiológica ou psicológica que o acompanha por ser o elemento afetivo destes. Na tradição filosófica, o desejo pressupõe carência, indigência. Um ser que não caressesse de nada não desejaria nada. Este ser seria um perfeito, um deus, portanto. Por isso Platão e os filósofos cristãos conceberam o desejo como uma característica de seres finitos e imperfeitos. O Poema Falado deste mês discorre sobre o desejo de amor e gozo por meio dos magníficos versos do Álvares de Azevedo: “Oh! ter vinte anos sem gozar de leve / A ventura de uma alma de donzela! / E sem na vida ter sentido nunca / Na suave atração de um róseo corpo / Meus olhos turvos se fechar de gozo! / Oh! nos meus sonhos, pelas noites minhas / Passam tantas visões sobre meu peito! / Palor de febre meu semblante cobre, / Bate meu coração com tanto fogo”! Boa leitura.

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Imagem: Maíra (2010), por Hamilton Lima.