segunda-feira, 8 de junho de 2009

Dos escritos de Santo Antônio

“Já que a caridade é mais importante do que as outras virtudes, procuremos pôr em evidência alguns dos seus aspectos [...] O amor para com Deus e o amor para com o próximo são a mesma forma de amor, porque Deus é caridade, isto é, Amor. Este mandamento do amor, segundo o qual deves amar a Deus por ser quem ele é e de todo o coração e ao próximo como a ti mesmo, foi determinado por Deus e deves praticá-lo com a mesma intenção e pelo mesmo motivo pelo qual tens de amar a ti mesmo. Deves amar a ti mesmo dentro do bem e por causa de Deus; o mesmo deves fazer em relação ao teu próximo. E deves considerar como teu próximo todo e qualquer ser humano, porque não existe nenhum com o qual se possa proceder mal. o Como é que se deve amar a Deus? Assim: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, isto é, com toda a inteligência; com toda a alma, isto é, com a tua vontade; com toda a mente, isto é, com a memória, de maneira que concentres todos os pensamentos, toda a vida, toda a inteligência naquele do qual recebes o que lhe ofereces. Com o que acabou de dizer, Jesus não deixou livre, então, nenhuma parcela da nossa vida: tudo o que nos vier à mente deve ser dirigido para onde corre o impulso do nosso amor. São João, na sua primeira carta sobre o amor a Deus e ao próximo, nos apresenta muitas reflexões e nos convida a praticá-lo, dizendo: ‘Nisto se tornou visível o amor de Deus entre nós: Deus enviou o seu Filho único a este mundo para dar-nos a vida por meio dele’ (1Jo 4,9). Como foi grande o amor do Pai para conosco! Ele enviou para nós, para nos favorecer, o seu Filho unigênito, para que, vivendo por meio dele, também o amássemos. Porque ‘quem não ama, permanece na morte’. Se Deus nos amou a tal ponto que nos deu seu Filho dileto, por meio do qual tudo criou, também nós devemos nos amar mutuamente. ‘Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros’ (Jo 13,34)”

(In: Sermones I, pp. 397-398).
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Imagem: José Costa

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A copa 2014 é nossa! E agora, Salvador?

Ontem a FIFA anunciou as doze cidades brasileiras que serão sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014. São elas: Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Na terra do Senhor do Bonfim o anúncio foi comemorado no Pelourinho, com direito a show das bandas do Oludum e do Ilê Ayê; e também na partida entre Vitória e Grêmio pelo Campeonato Brasileiro no Barradão, com a participação da Ivete Sangalo e do Tatau, ex-Araketu. Depois da comemoração o que nos resta? Muito trabalho e algumas reflexões.

Como diz o Lucas Franco em seu blog Grande do Brasil nada mal para nosso ego saber que a cidade que gostamos atrairá os olhares de muita gente durante algum tempo. Bom também saber que ela ocupará para sempre um lugar na história do futebol internacional, principalmente se alguma partida aqui realizada passar “a ser rotulada de A batalha de Salvador”, tal qual “foram rotuladas de batalha de Berna em 1954 e batalha de Nuremberg em 2006”. Tudo isso é muito bom, mas é preciso considerar outras questões.

Salvador é uma cidade que tem graves problemas de infra-estrutura, desde saneamento básico até segurança pública, passando por transporte, saúde e preservação das ruas e avenidas. Sem falar na incompetência dos nossos dirigentes e na corrupção política e de toda ordem que se materializa na forma de obras superfaturadas que, por sua vez, geram atrasos exaustivos de cronograma como aqueles do metrô, motivo de chacota de toda espécie. São grandes as providências e os problemas. Estaremos preparados para enfrentá-los e superá-los? Um evento do porte da copa do mundo atrairá, sem dúvida, grandes investimentos e a cidade ganhará muito dinheiro com isso. Os recursos gerados com a festa se reverterão, de fato, em benefícios para a população da cidade? Ou acontecerá como o carnaval, uma festa que gera bastante recurso para Salvador, mas estes, na prática, pouco (ou nada) acrescentam para a melhoria da vida cotidiana de milhões de soteropolitanos. Que opção faremos: seremos vitrine ou vidraça? É o que pergunta o dossiê elaborado pelo Sinaenco – Sindicato Nacional da Arquitetura e Engenharia. De acordo com o Portal Copa 2014, “Os desafios começam em problemas triviais, como o abominável hábito nacional de despejar o lixo nas ruas, ou usá-las como sanitários púbicos, até o atraso nacional na área de estradas, aeroportos transportes públicos, energia, telecomunicações ou saneamento. Os problemas envolvem questões de educação, segurança, saúde e, especialmente, as dificuldades de algumas cidades para manter os futuros estádios e evitar que se transformem em elefantes brancos”. Os questionamentos e desafios estão postos. E agora, Salvador? (por Sílvio Benevides).

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Quer andar de trem “véio”, amor? Então venha!

A nota abaixo foi publicada na revista Exame (Edição 942 – 15/05/2009). Qualquer semelhança será mera coincidência?

As locomotivas viraram sucataEste é mais um dos exemplos gritantes de desperdício de dinheiro público. Estão encaixotadas num depósito da antiga Rede Ferroviária Federal, em Campinas, 68 locomotivas importadas da França em 1976. É isso mesmo: há mais de 30 anos, esses trens foram comprados e nunca foram montados. Eles faziam parte do Plano de Eletrificação da Fepasa, ferrovia paulista que depois foi incorporada à rede nacional. Na época, a crise do petróleo impulsionou a busca de energias alternativas para a movimentação de cargas. E, com o baixo custo da energia elétrica nos anos 1970, surgiu a ideia de eletrificar o trecho ferroviário que ligava Ribeirão Preto, Campinas e Santos. O plano não saiu do papel, mas o dinheiro para implantá-lo sim. Foram gastos 500 milhões de dólares na aquisição das locomotivas e da infraestrutura das subestações elétricas. Hoje, mais de três décadas após o malfadado plano, as máquinas praticamente viraram sucata. As 68 locomotivas são parte do inventário da Rede Ferroviária Federal — extinta após a privatização — e serão transferidas para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte. O órgão será responsável por dar destino às máquinas francesas — provavelmente um ferro-velho (por Fabiane Stefano).

Não sei não, mas penso que o famoso metrô de Salvador está a percorrer esses mesmos trilhos. Tudo nos leva a crer nessa premissa. Obras constantemente embargadas e paralisadas por suspeita de superfaturamento e irregularidades no repasse de verbas; trabalhos que se arrastam ad infinitum sem nenhuma perspectiva de conclusão e se forem concluídos não terão cumprido sequer a metade do que foi inicialmente planejado, previsto, orçado e prometido. Enquanto isso os trens já aportaram na cidade e estão em algum galpão a caminho de virarem sucata. Como já disse o Caetano Veloso, já citado em outro post sobre o mesmo tema, “aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína”. Mas tudo bem! Estamos em Salvador e como todos sabem Salvador é uma festa! Uma cidade única com uma única alegria! Que beleza, que maravilha! Quer andar de trem “véio”, amor? Então venha! (por Sílvio Benevides)
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Foto: Aristeu Chagas/AGECOM

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Coisas da Política – O Brasil e seu futuro

A despeito dos grandes pensadores brasileiros que atuam e atuaram nas diversas áreas do conhecimento e das artes nacionais, o Brasil ainda vive sob uma forte e persistente dependência intelectual. A academia brasileira, em geral, e a baiana, em particular, continua a repetir idéias e teorias francesas, inglesas, alemãs e estadunidenses como se os pensadores desses países fossem o único norte possível do pensamento humano (isso também ocorre com as artes, embora em menor grau). Alguns intelectuais brasileiros chegam até a sugerir para seus orientandos uma escala de hierarquização intelectual, na qual os autores mais importantes (sempre os franceses, ingleses, alemães e estadunidenses) devem ser o referencial teórico principal e, por isso mesmo, os obrigatoriamente citados. Agindo dessa maneira, acabam por transformar a academia não em um espaço onde se deve estimular o desenvolvimento de um pensamento crítico e autônomo, mas em um lugar onde papagaios são bem adestrados. O texto abaixo, de autoria do Mauro Santayana, é uma reflexão bastante lúcida sobre o Brasil e o seu papel no mundo contemporâneo. Para nos tornarmos “gigantes pela própria natureza”, como apregoa o nosso hino nacional, precisamos, antes de tudo, conquistar nossa independência mental e intelectual, “expressão maior da soberania de um povo”. Não podemos ficar ad infinitum reproduzindo esquemas teóricos que não refletem nossa realidade. Precisamos erigir uma teoria (ou teorias) genuinamente brasileira, que reflita o nosso jeito de ser e de entender o mundo, afinal, interpretar o mundo a partir do lugar que ocupamos é o que define a inteligência de uma gente. Estou farto de ouvir depreciações insanas ou ufanismos tolos sobre o Brasil. Se nós fomos capazes de conquistar nossa independência político-administrativa no século XIX, podemos perfeitamente conquistar nossa independência intelectual no século XXI. Como escreveu o Milton Nascimento “ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil não vai fazer desse lugar um bom país”. Está mais do que na hora de nossas artistas, intelectuais e políticos perceberem isso. Abaixo a papagaiada! (por Sílvio Benevides).

Eis o texto do Mauro Santayana:

No ‘Ensaio para uma teoria do Brasil’, publicado em 1966 – e agora reproduzido em livro (Comunidade brasileira e outros ensaios, Editora da Fundação Alexandre de Gusmão, 2009), o filósofo Agostinho da Silva fez correção dialética à ideia de que o Brasil é o país do futuro. O pensador português, que aqui viveu muitos anos, mostra que a profecia antiga partia da suposição de que esse futuro seria atingir os módulos de civilização dos países ricos e centrais. Agostinho pensava o contrário. Já então, ele entendia que a civilização europeia, com sua projeção atlântica, entrara em decadência. O Brasil é, sim, o país do futuro, mas do futuro que a sua sociedade criará, com liberdade, tolerância e fraternidade.

“O que nos interessa, agora, é realmente o problema do Brasil e da sua capacidade de liderar o futuro humano, quando se desembaraçar de tudo quanto lhe foi inútil na educação europeia e exercer, com o esplendor e a vigorosa força de criação que pode demonstrar, as suas capacidades de simpatia humana, de imaginação artística, de sincretismo religioso, de calma aceitação do destino, da inteligência psicológica, de ironia, de apetência de viver, de sentido da contemplação e do tempo” – escreveu há 43 anos. Mesmo sob o látego do golpe militar, essas qualidades plurais do povo brasileiro eram evidentes. Esperava-se – e Agostinho também – que a arbitrariedade seria passageira, e o país retornaria logo à normalidade. Não poderia imaginar que, ao durar tanto, a ditadura deixaria sequelas terríveis na alma nacional.

Embora com todas as dificuldades que enfrentamos, o Brasil parece voltar a ser o país do futuro, não o futuro que então, e aqui, se imaginava. O texto de Agostinho é mais atual do que antes. Nós nos desviamos de nosso destino quando deixamos de inventá-lo. O culto à Europa e aos Estados Unidos, que teve o seu momento mais caricatural na passagem do século 19 para o 20, e se exacerbou grotescamente com o neoliberalismo, vem resistindo à lógica. Passamos a importar todos os modelos de fora, dos automóveis de luxo aos processos de administração pública, neles incluídas as leis, do sistema universitário às crises bancárias, da euforia dos cartões de crédito ao consumo de drogas.

Estamos diante da grande oportunidade de encontrar caminho próprio. O conceito do Brasil cresce no mundo, talvez porque seja, no imaginário da inteligência, o terreno – físico e espiritual – destinado a nova revolução histórica. É certo que, para isso, ele está sendo obrigado a fortalecer sua economia. Mas há, além do crafty power, com que a Newsweek o qualificou em matéria de capa, outras condições alentadoras. O Brasil, com sua biodiversidade, é o mais importante espaço para as pesquisas que contenham o aquecimento global e permitam também o usufruto da natureza sem lhe causar dano. Para isso, os transgênicos devem ser contidos a tempo. A Comissão Técnica de Bio-Segurança, ao permiti-los, está na contramão da lucidez.

A expressão maior da soberania de um povo é a independência mental. Não podemos, a pretexto de que já se inventou a roda, deixar de buscar outros meios de deslocamento. Somos chamados a ousar, se queremos aproveitar a oportunidade histórica. Ousar na reinvenção do Estado, nas pesquisas científicas e na criação de novos modos de convivência social, que sejam solidários e dinâmicos. Chegou o momento de romper com esse modelo de civilização que já se esgotou na História. Os países que sofreram a opressão do sistema, se souberem unir-se, poderão mudar o mundo. Nossa diplomacia, ao respeitar a autodeterminação dos outros, conquista amigos e não causa ressentimentos. A Espanha, orgulhosa de seu passado, tem sido muito arrogante, tratando com desprezo não só os viajantes da América Latina como os governantes hispano-americanos, como foi o caso de Duhalde, da Argentina, e Chávez, da Venezuela. Hoje, se esfalfa, buscando o apoio de nosso continente para ter assento no G-20, embora sem credenciais econômicas para tanto.
O passado é uma referência, mas não pode ser fardo a ser arrastado na escalada do tempo. Apesar do negativismo de alguns, o Brasil está em seu grande momento, e não pode perdê-lo. Daí a importância da reflexão de Agostinho da Silva: para fazer o futuro, devemos inventá-lo, com a alegria, o espírito universal de solidariedade, a inteligência criadora e a necessária consciência de que todos os brasileiros têm direito aos mesmos benefícios da civilização (por Mauro Santayana).
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Imagem: Mapa do Brasil

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ó têmpora! Ó mores!

Na última terça-feira 05 de maio Salvador parou. O intenso temporal que desabou sobre a cidade derrubou árvores, abriu buracos, botou abaixo morros e casas e fez transbordar canais, rios e diques que alagaram ruas e avenidas potencializando o caos do já caótico trânsito da nossa feliz urbe. O saldo de tudo isso: oito pessoas mortas. Duas delas afogadas e seis soterradas. Não vou falar dos prejuízos econômicos porque esses, por maiores que sejam, podem ser revertidos. É verdade que na maioria dos casos a duras penas. A despeito das dificuldades, há uma possibilidade, ainda que remota. O mesmo não pode ser dito em relação às vidas que se foram para sempre.
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A quem cabe a culpa de tudo isso? A São Pedro, diriam os homens cínicos que se acham capazes de governar nossa cidade, afinal, choveu em um dia o previsto para chover em um mês inteiro, ou quase isso. Acontece que as chuvas são um fenômeno natural. Elas chovem e choverão quer nós queiramos ou não. Culpá-las pelo caos que se transformou Salvador na semana passada seria o mesmo que culpar o galo pelo término da noite. O fato é que estamos a pagar o preço por termos eleito políticos ineptos que concebem a política tão somente como algo imediatista.
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Como já comentei na postagem Sobreviver é cuidar do porvir a política que se faz no presente deve estar voltada para o futuro. Essa idéia é da filósofa alemã Hannah Arendt, mais uma vez citada nesse blog. Segundo ela, “um espaço público não pode ser construído apenas para uma geração e planejado somente para os que estão vivos”, ou seja, planejado apenas para atender às necessidades presentes. Não estou afirmando que o presente deva ser ignorado. Não é isso! Mas o presente deve ser construído e planejado visando o futuro. Só dessa maneira se pode avançar.
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O que aconteceu em Salvador na última terça-feira ilustra bem essa questão. O caos da nossa cidade não foi provocado pelas chuvas. Na verdade, as chuvas apenas revelaram o caos no qual há muito tempo os soteropolitanos estão submersos. As autoridades municipal e estadual passadas e presentes pouco ou nada fizeram para que o caos do dia 05/05 não tivesse acontecido. Refiro-me, principalmente, a uma política pública habitacional que não privilegie somente os empreendimentos de luxo, mas, sobretudo, empreendimentos populares que ofereçam segurança àqueles que se arriscam em morar a beira de precipícios (assim também se trabalha em prol da contenção de encostas); a uma política pública de preservação ambiental (assim também se previne temporais intensos e seus efeitos nefastos); a uma política pública educacional que conscientize a população da importância de não se jogar lixo nas ruas, encostas, canais, rios, etc. (assim também se previne o entupimento das vias por onde as águas da chuva devem escoar), entre tantas outras iniciativas. Isso é trabalhar no presente visando o futuro.
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O que se deve perguntar é o seguinte: quais providências as autoridades municipal e estadual estão tomando para que no próximo ano essas tragédias não se repitam? Creio que pouco, muito pouco, a julgar pela declaração do presidente da Câmara Municipal, vereador Alan Sanches (PMDB), feita “na manhã de domingo, dia 10, na Catedral Basílica, durante a secular celebração ao santo protetor dos soteropolitanos”, segundo informou a Assessoria de Comunicação da Câmara de Vereadores. Para o vereador, só nos resta apelar para o padroeiro da cidade, São Francisco Xavier. Em suas palavras, “a sociedade conclama mais vez para que o padroeiro de Salvador e da Câmara, São Francisco Xavier, interceda neste momento difícil vivido por nossa cidade”. Então é isso? Devemos esperar que São Francisco Xavier interceda por nós? E quanto ao Ministro Gedel Vieira Lima? Acaso não é ele o homem das obras da integração nacional?
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Já o Governo Estadual e a Prefeitura de Salvador estão fazendo sua parte. Como se pode ver nas campanhas publicitárias de ambas as instâncias governamentais, assim como o Ministro Gedel Vieira Lima, nossa autoridades executivas estão a obrar muito, tanto na capital quanto em todo o Estado da Bahia. Estão a obrar em todo lugar. Talvez seja por isso que estejamos em tão boa situação. Sugiro que nossas autoridades parem de obrar na nossa cidade, no nosso Estado e no nosso país e passem a governar. Governar o presente para construir um futuro menos caótico na pior das hipóteses (por Sílvio Benevides).
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Imagens: Márcio Farani, Arestides Baptista (Ag. A TARDE) e Fernando Vivas (Ag. A TARDE)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Vitória Tricampeão!

Existe uma diferença entre ser vitorioso e ser derrotado. Os derrotados são aqueles que vivem do passado porque têm apenas o passado para seguir e cultivar. Talvez por isso não saibam perder, já que cada derrota lhes traz a certeza de que o futuro não existe para eles. No último domingo o primeiro e único Esporte Clube Vitória consagrou-se tricampeão baiano superando todos os obstáculos, de chuva forte a mau agouro. Campeão absoluto do novo milênio (seis taças em sete campeonatos estaduais), o Vitória é um time vitorioso porque vitoriosos são aqueles que vivem de glórias futuras, pois o futuro lhes espera de braços abertos (por Sílvio Benevides).

Vitória busca empate contra o Bahia e conquista o tri

O Vitória fez festa. Após uma partida suada, o time rubro-negro de Salvador comemorou o tricampeonato baiano mesmo com um empate por 2 a 2 no clássico Ba-Vi com o arquirrival Bahia. Em um jogo de superação, o atacante Neto Baiano e o meia Ramón foram os heróis deste domingo, marcando os gols do título para o Leão no Barradão.

Como teve melhor campanha ao longo da primeira fase e venceu a partida de ida por 2 a 1 no Estádio Pituaçu no último domingo, o time comandado por Paulo César Carpegiani tinha o direito de perder por até um gol de diferença para ainda assim renovar o título estadual. No entanto, o Bahia virou o intervalo como campeão com uma vitória parcial por 2 a 0, com gols de Reinaldo Alagoano e Ávine. Até que Neto Baiano, então apático no jogo, resolveu aparecer e marcar aos 19 minutos do segundo tempo. Por fim, o veterano Ramon, aos 43, encerrou o Baianão cobrando pênalti e confirmou o tri do Vitória.

Neto Baiano, além de ver o clube se sagrar tricampeão, conquista o prêmio de maior goleador do Campeonato Baiano. O atacante marcou 18 gols, com muita sobra para o segundo artilheiro da competição: Robert, que fez 13 a serviço do Atlético de Alagoinhas. Com a conquista deste domingo, o Vitória – que iniciou o ano treinado por Vagner Mancini, hoje no Santos – mantém a hegemonia estadual. Com esta taça, são seis nos últimos sete Campeonatos Baianos – apenas o Colo Colo de Ilhéus impediu em 2006 uma soberania ainda maior. Já o Bahia aumenta o jejum, uma vez que não vence o torneio desde 2001 (Fonte: Gazeta Press).
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Foto: Agência Estado

segunda-feira, 27 de abril de 2009

I got my first blog award – The best award

Sometimes we met people who make ourselves feel so good. Because of this, they are very singular and unforgettable people. It doesn’t matter what these people use to do to make ourselves feel better or where they live, if near us or in the other side of the world. Their kindness becomes them so close to our heart. Maybe some people never can understand what I’m saying, because I’m talking about the truth…the truth of my feelings. After all, “it’s only with the heart that one can see rightly; what is essential is invisible to the eye”, like said Antoine de Saint-Exupéry in Le petit prince, my favorite book. Two weeks ago the Salvador na sola do pé won a very special award from a Lonely Friend, the I LOVE YOUR BLOG award. Thank you very much my friend. You really are a kind guy! This is the best award that someone desires to win, original and lovely. Thanks! I finish this post with other words from Le petit prince: “You become responsible, eternally, for what you have tamed”. For this reason, you are a special friend for me. Now, in according of the rules of my Lonely Friend, I have to nominate other blogs that I love (by Sílvio Benevides).
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HERE ARE MY NOMINATIONS:
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Nishant Nischal's Blog (http://www.nishantnischal.blogspot.com)
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Nishant Nischal is an Indian friend that has an interesting blog about the incredible India. Believe me: this Land is really incredible. He uses to take very beautiful photos of his country. It’s fantastic! We met each other casually and, together, we are finding many similarities between India and Brasil. For example: there is here in Salvador a carnival group called Filhos de Gandhi (Gandhi’s sons). The group was created in 1949 and its philosophy was inspired by the non-violence politic of Mahatma Gandhi from India. If you want to know the real India, you have to visit the blog of my Lonely Friend. Or go to there in person.
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Bienvenue-Ami (http://bienvenue-ami.blogspot.com)
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This is the blog of my great and closed friend Pappillon. Here, we can find beautiful poems of great authors from Brasil and other countries. If you are looking for good lecture, this is the right place.
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GrandSports – O blog do Lucas Franco (http://grandedobrasil.blogspot.com)
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Lucas Franco is a very smart journalist student. His blog is about sports, but we can find here some posts about the life in general and, of course, about journalism. His chronicles about sports are sensational.
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Pensamentos de José Saramago (http://www.josesaramago.org/site)
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No. José Saramago is not my friend, unfortunately. But I love so much his site and specially his writings. He’s extraordinary!
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NOW HERE ARE THE RULES:
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1) Add the logo of the award to your blog.
2) Add a link to the person who awarded it to you (Not necessary, only if you want).
3) Nominate at least 5 other blogs (Only if you want).
4) Add links to those blogs on your blog.
5) Leave a message for your nominees on their blog to come and pick their award from your blog.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Uma soteropolitana na capital do Amazonas

Em visita rápida a Manaus, registro aqui um pouco da impressão que tive da cidade e dos manauaras ou manauenses.

Manaus é uma cidade de aproximadamente 1,71 milhão de habitantes, está situada a margem esquerda do Rio Negro, próxima ao encontro das águas com o Rio Solimões (nome dado ao Amazonas na região). É uma cidade grande, bonita e de uma arquitetura interessante. Tem um porto totalmente flutuante que veio todo pronto da França e só montado em Manaus.

Tive a oportunidade de sentir sabores exóticos, diferentes do que estou acostumada. E se você acha que já tomou açaí, o açaí da Bahia não passa perto do açaí que se tem lá. O que será mesmo que tomamos aqui, afinal? Hoje eu posso dizer o que é açaí, como também tapioca, cupuaçu etc.

Hummm, e não posso deixar de falar do belo almoço típico da sexta-feira Santa, na casa de Dona Elvira. E para minha surpresa ou ignorância encontrei na mesa de Dona Elvira com o nosso conhecido Vatapá, e pensei que fugiria dos pratos da Bahia. Bem, mas o de Dona Elvira era um Vatapá Manauara muito gostoso, feito também a base de pão e com o seu sabor especial diferente do nosso. Lá também comi o pirarucu de casaca. Um prato feito com o pirarucu, o maior peixe de água doce (o bacalhau da região) e banana pacovã frita. E devo registrar o maravilhoso bolo de cupuaçu e também o creme da mesma fruta feitos caprichosamente por Dona Maria, hummmm tudo muito delicioso! Espero não ter engordado muito!!

Apesar ser uma visita rápida à capital do estado do Amazonas, tive oportunidade de fazer belos passeios que me foram proporcionados pela hospitalidade das amigas Paula e Luli, e, assim, conhecer partes dessa bela cidade que tentarei descrever aqui e espero que algum dia vocês façam essa longa, mas bela viagem.

Para iniciar minha visita, fiquei hospedada na casa de minha amiga Paula e sua hospitaleira família, em um bairro chamado Aleixo, que tem uma localização privilegiada na cidade e parece mesmo perto de tudo. E é no Aleixo que está localizado o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Fiquei sabendo depois que os visitantes que vão a Manaus e que não tiverem tempo para ir à floresta devem visitar o Bosque da Ciência, localizado no INPA e aberto ao público. Não foi dessa vez que fui ao bosque!!

Em minha primeira saída, conheci a Casa da Sopa, localiza no Aleixo, um lugar agradável onde coloquei o papo em dia com as amigas. No dia seguinte, fui ao Encontro das Águas, esse espetáculo natural, ocorre quando as águas barrentas do Rio Solimões se encontram com as águas pretas do Rio Negro, correndo lado a lado por 4 a 6 quilômetros sem se misturarem, devido a diferenças na temperatura, densidade e velocidade das águas. Os dois rios continuam por muitos quilômetros, com redemoinhos e correntes cada vez menos distintas fazendo a interface entre os dois. Só isso já justifica esse passeio e ida tão rápida a Manaus para quem não tem muito tempo. É realmente incrível e indescritível a sensação de poder presenciar esse espetáculo da natureza. Sem contar que naveguei nas águas do maior rio do mundo.

Tive a oportunidade de conhecer o Parque Ecológico de Janauary, que está localizado no rio Negro. O local concentra vários ecossistemas da região. Lá tem o Lago das Vitórias-Régias, onde há uma passarela rústica que nos leva a conhecer esta bela flor amazônica. E foi lá que, deixando o Motor (barco grande), passei para as canoas e fiz um passeio pelos igapós e várzeas, onde podemos encontrar grandes e pequenas árvores com cipós, vegetação típica desse ecossistema. E depois desse passeio de canoa, almocei em um restaurante flutuante onde são servidos pratos à base de peixes da culinária regional. Os peixes do Amazonas têm um sabor mais encorpado. Há também ao lado do restaurante venda de artesanato dos ribeirinhos.

À noite fui com Paula e suas irmãs conhecer a praia de Ponta Negra, um local popular às margens do Rio Negro. Uma área também de vida noturna. E lá, assisti a apresentação dos ensaios dos bois Garantido e Caprichoso. O Boi-bumbá é um estilo musical proveniente de Parintins, cidade no interior do Amazonas, que conta com danças folclóricas com temática indígena e ribeirinha e com um Festival Folclórico que ocorre no mês de junho.

E para fechar a minha viagem fui conhecer o Teatro Amazonas, porque tinha que fazer uma foto para meu amigo Silvio e a fiz. Obrigada Silvio, pois vale muito a pena ir conhecer essa bela arquitetura!! Este marco notável foi construído no meio da Floresta Amazônica em 1896, no apogeu do ciclo da borracha. O teatro de Manaus, construído com a riqueza dos barões da borracha, levou quinze anos para ficar pronto. Todos os materiais foram importados da Europa, incluindo as ferragens, estruturas, estátuas, mármores, lustres, espelhos e cristais. Apenas a madeira utilizada no piso e nas cadeiras é brasileira, da Bahia. O Teatro Amazonas foi inaugurado em 31 de dezembro de 1896.
Agradeço aqui a maravilhosa generosidade e acolhimento das pessoas dessa cidade e principalmente, a Paula e sua família pela hospedagem. Fui muito bem recebida e bem acolhida por todos que tive a oportunidade de conhecer. E espero voltar em breve a Manaus para rever essa linda cidade, rever as pessoas e conhecer novos lugares (por Gina Carla Reis).
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Imagens: Encontro do Rio Negro e Solimões, Parque Ecológico de Janauary e Teatro Amazonas por Gina Carla Reis.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O estudante dono do seu destino

Dentre as inúmeras características das sociedades contemporâneas, uma das mais significativas talvez seja o triunfo de um padrão de conduta fortemente orientado pelo que se pode chamar de lógica do consumo, cuja dinâmica se pauta por princípios semelhantes àqueles que regem os mercados econômicos.

Nas décadas finais do século XX, principalmente após o colapso do comunismo no Leste Europeu, o processo de expansão do capital excedeu sobremaneira a esfera da produção, infiltrando-se em outros planos da existência humana mais diretamente ligados às relações cotidianas. Por conta disso, há nas sociedades atuais uma tendência a reduzir toda e qualquer relação social a modelos delineados pela lógica do consumo capitalista. Lógica esta que passou a orientar a vida das pessoas como se fosse uma “lei de ferro”.

A capacidade de consumir bens e serviços se tornou um dos princípios fundamentais de regulação das relações entre indivíduos e destes com grupos e instituições, sejam elas econômicas ou não. É comum, por exemplo, encontrarmos no interior das instituições de ensino superior, sobretudo nas de natureza privada, estudantes que enxergam o processo educacional como um mero produto, a exemplo de tantos outros disponíveis no mercado consumidor. Sendo assim, pautam suas ações e reivindicações pelo simples fato de estarem pagando por um serviço, tal qual acontece nos centros de lazer ou compras.

Perceber ou vivenciar o processo educacional apenas pela lógica do consumo acaba por limitar significativamente as possibilidades que tal processo pode oferecer ao indivíduo e à coletividade. Educação não se resume apenas à transmissão de um determinado conhecimento e/ou técnica que melhor atendam às necessidades do mercado. A educação tem como princípio fundamental o desenvolvimento das faculdades físicas, intelectuais e morais do indivíduo, isto é, visa transformá-lo em sujeito social ativo, pensante e participante dos processos sociais, ciente dos seus deveres e direitos e, por isso mesmo, capaz de transformar a realidade que o cerca.

Educar é, portanto, muito mais do que somente preparar um indivíduo para ingressar no mercado de trabalho e, conseqüentemente, no mercado consumidor. Educar é um convite à reflexão, é propiciar os meios indispensáveis para que o indivíduo conquiste sua emancipação social e supere sua pequenez humana. Todavia, o que se vê é a lógica do mercado e do consumo adquirindo um status de um mito, quase um totem, que condiciona e limita as faculdades intelectuais e morais de inúmeros estudantes, a ponto dos seus objetivos se resumirem apenas em estudar para passar a fim de pôr a mão no diploma, visto, muitas vezes, como um bilhete que lhes garantirá a entrada no mercado do consumo desenfreado. Poder consumir é o que muitos acreditam ser a conquista da sua autonomia.

Tomar o mercado como o princípio sintetizador das relações sociais significa reduzir a sociedade a um jogo cujas regras são definidas por quem pode pagar mais e, por conseguinte, consumir mais. A pergunta que se deve fazer é a seguinte: quais as conseqüências para a humanidade entender as relações sociais a partir de uma lógica consumista? Que tipo de ética prevalecerá numa sociedade de consumo? Tais questionamentos só poderão ser respondidos por aqueles que enxergam o processo educacional não como um produto, mas como um mecanismo de emancipação do sujeito social. Estes sim serão os líderes e agentes de transformação do amanhã, donos do seu destino, e não meros carneirinhos que, de tão tolos, se deixam conduzir ao aprisco, acreditando ter alguma autonomia sobre sua sorte (por Sílvio Benevides).
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Imagem: O escolar, Vincent Van Gogh (1890)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Olhares

O olhar nos define e pelo olhar definimos o mundo. Os olhares, por sua vez, são condicionados pelos códigos e padrões culturais que orientam nossos passos nos espaços por onde caminhamos e ocupamos. Em suma, o olhar nos situa no mundo. Se o nosso olhar é condicionado pela cultura na qual estamos imersos e pelo lugar que ocupamos, então os nossos olhares são sempre singulares, isto é, nunca enxergamos o que o outro vê. Em certa medida essa assertiva procede. Entretanto, há momentos em que os olhares se encontram e se cruzam, ou seja, rompem fronteiras e situam-se, simbolicamente, na cultura do outro, no espaço do outro. Para o antropólogo estadunidense Clifford Geertz (1926-2006), situar-se significa trocar, conversar, comunicar. Segundo ele, o objetivo da antropologia é promover o “alargamento do universo do discurso humano” (In: A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989).
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Mesmo distantes, tanto do ponto de vista simbólico (leia-se cultural) quanto do ponto de vista geográfico, o Brasil e a Índia se comunicam de várias maneiras. Aqui, através dos olhares de dois interlocutores virtuais. Refiro-me a mim, Sílvio Benevides, um brasileiro, e a Nishant Nischal, um indiano. Conhecemo-nos através de nossos blogs e por conta deles nossas culturas passaram a se comunicar. Desse modo descobrimos elementos comuns entre os cotidianos de nossas realidades. Estas se encontraram, se comunicaram a partir de nossos olhares, como é possível perceber nas imagens abaixo.

Índia
Brasil


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Embora afastados, os olhares por vezes se encontram, pois como já disse o filósofo chinês Confúcio, milhares de anos atrás, “a natureza dos homens é a mesma, são seus hábitos que os mantêm separados” (por Sílvio Benevides).
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Imagem do olho: René Magritte, The False mirror (1928).