terça-feira, 17 de abril de 2012

VI Encontro Estadual de História – ANPUH/BA

VI ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA – ANPUH/BA
XXIII CICLO DE ESTUDOS HISTÓRICOS DA UESC
POVOS INDÍGENAS, AFRICANIDADES E DIVERSIDADE CULTURAL

CAMPUS DA UESC – ILHÉUS/BA, 13 A 16 DE AGOSTO DE 201
Encontram-se abertas até 13 de maio, inscrições de COMUNICAÇÕES para os 34 Simpósios Temáticos do Evento. Poderão inscrever-se profissionais de História e de outras áreas com interesse na temática geral do Evento e com aderência às propostas dos Simpósios. Graduandos poderão também inscrever-se, desde que sejam chancelados formalmente por seus orientadores.

Quanto às solicitações de informações sobre Hospedagem, informamos que estabelecemos parceria com a Multihotéis, Operadora Oficial do Evento, que em breve apresentará cotação de diárias na rede hoteleira de Ilhéus, com tarifas promocionais para os participantes do Evento, bem como de pacotes e passagens aéreas também promocionais.

Quanto ao Alojamento para estudantes, após entendimentos com a Administração da UESC, estaremos disponibilizando 200 vagas (salas) para alojamento, única e exclusivamente para delegações. Este número poderá ser ampliado, desde que sejam utilizadas barracas. Em breve iniciaremos a campanha de “hospedagem solidária”.

Visando tornar mais ágil a troca de informações, bem como uma maior circularidade do Evento estamos lançando, em parceria com o Portal História Pensada, o Blog Oficial do Evento. Convidamos a todos que o visitem, bem como o compartilhem em suas redes de contatos (Fonte: ANPUH-BA).

ST 11 - ENTRE A DEMOCRACIA E A DITADURA: CONFLITOS, TENSÕES E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NO BRASIL

Autor(es) SILVIO CESAR OLIVEIRA BENEVIDES
GRIMALDO CARNEIRO ZACHARIADHES

Resumo:
A história republicana brasileira foi intercalada por períodos democráticos e de regimes de exceção, como o Estado Novo (1937-1945) e a Ditadura Militar (1964-1985). Desde a Proclamação da República, em 1889, a limitação dos direitos políticos de amplos segmentos da população marca a história brasileira. O próprio Golpe Militar de 1964 poderia ser pensado como o momento mais dramático de conflitos que existiram na luta empreendida pelos que aspiravam a uma maior participação política e os grupos que tradicionalmente detiveram o poder estatal. Este simpósio temático visa acolher trabalhos que tratem da história política, econômica e cultural brasileira a partir da discussão desta tensão, que continua também nos dias atuais. Embora não vivamos atualmente em um período ditatorial e autoritário, ainda temos muito que lutar para consolidar a democracia no país, que só será possível com uma maior participação de diversos setores da sociedade. Pretendemos neste Simpósio Temático construir um quadro o mais rico possível das transformações políticas e sociais brasileiras, congregando pesquisadores de várias temáticas com o intuito de analisar como se deu a ampliação da participação política no Brasil durante o período republicano. Para tanto, serão abarcados tanto trabalhos que tratem de momentos de aumento desta participação quanto daqueles quando ela se viu reduzida, como os chamados períodos de exceção.
Imagem: Cartaz de divulgação

Mais informações sobre o III EBECULT

De amanhã (18/04) a sexta-feira (20/04), Cachoeira e o Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) sediarão o III Encontro Baiano de Estudos em Cultura (EBECULT), que tem como objetivo incentivar o compartilhamento da produção acadêmica desenvolvida no campo da cultura, no Estado da Bahia.

O III EBECULT oferece 15 simpósios temáticos com apresentação de mais de 200 trabalhos aprovados, os quais revelarão a diversidade das pesquisas e estudos culturais na Bahia (vide programação completa AQUI). O Encontro proporciona também uma Conferência com reflexões sobre as políticas culturais em âmbito nacional; uma Mesa Redonda com destaque para a interface entre cultura, política e comunicação; três diálogos culturais dando ênfase ao samba do Recôncavo, ao cinema e as artes visuais contemporâneas, além de uma plenária final onde será definida a instituição sede do próximo encontro.

Visando aproximar conhecimentos acadêmicos e populares, inovações e tradições, e proporcionar ao público uma imersão na cultura local, serão oferecidas visitações a instituições e projetos culturais de extensão, além de uma ampla programação artístico-cultural, com exposições, instalações, artes cênicas e muita música. Convidamos todos os interessados a compartilharem essa experiência conosco. Para mais informações, visitem nosso SITE (Fonte: Comissão Organizadora III EBECULT).

Imagem: ASCOM UFRB

domingo, 1 de abril de 2012

Relembrar para não esquecer

Nos primeiros anos da década de 1960, esboçou-se no Brasil uma situação definida por alguns historiados de pré-revolucionária, onde ideais socialistas conquistavam cada vez mais adeptos nos meios intelectuais, sindicais, estudantis, artísticos, eclesiásticos, rurais, entre outros setores da sociedade brasileira. Tratava-se de uma tendência “esquerdizante”, que se espalhava por inúmeras camadas sociais e contagiava, sobretudo, grande número de jovens a ponto de impulsionar muita gente a ter uma participação política mais efetiva.

Os setores dominantes da sociedade brasileira, sentindo seus interesses ameaçados pelas exigências dos trabalhadores urbanos e rurais politicamente mobilizados, conspiraram contra o governo de João Goulart, por temerem que no Brasil uma possível revolução socialista se tornasse vitoriosa, a exemplo do que ocorrera em Cuba. Por essa razão, intelectuais como Jacob Gorender afirmam que o golpe de Estado liderado pelos militares em 1964 pode ser entendido como uma contra revolução preventiva.

Em 01 de abril de 1964, as Forças Armadas brasileiras, sob o pretexto de restabelecer a ordem social ameaçada por uma crise político-institucional, depuseram o presidente João Goulart com o apoio de um leque bem complexo de forças sociais. Foram apoiados pelas classes dominantes nacionais, que compreendiam tanto setores rurais e urbanos, como, também, setores produtivos arcaicos e modernos, por grande parcela da classe média, pelas oligarquias políticas, especialmente aqueles segmentos que não conseguiam chegar ao poder por meio do voto popular, e pelo governo dos Estados Unidos. Por isso a historiografia brasileira atual se refere a esse episódio como golpe civil-militar. Como o primeiro de abril é conhecido nacionalmente como o dia da mentira, os arquitetos do golpe designaram o 31 de março como data oficial do ato nomeado pela propaganda ideológica do regime recém-instaurado de “revolução”.

De 1964 a 1985 a sociedade brasileira experimentou dias de trevas, nos quais o estupro da democracia, a perseguição política e ideológica, as prisões arbitrárias, a censura, o cerceamento da liberdade de expressão, a tortura, os “desaparecimentos” de presos políticos e daqueles considerados inimigos da segurança nacional passaram a ser uma prática constante e, pior, uma política de Estado. Hoje, quarenta e oito anos após o fatídico golpe, devemos relembrar a data não para comemorá-la. Mas, sim, para que não nos esqueçamos do valor da democracia. Esta, mesmo imperfeita, é o melhor caminha a se trilhar (por Silvio Benevides).


Imagem: Pedro de Moraes

Várias Vidas de Joana

O curta abaixo, escrito, dirigido e produzido por Cavi Borges e Abelardo de Carvalho, narra a história de Joana, menina que cresceu “no interior alheia aos principais acontecimentos do país. Aos dezoito anos desembarca no Rio de Janeiro sem imaginar o que a esperava pela frente. A data? Primeiro de abril de 1964. A partir de então, Joana e o Brasil nunca mais foram os mesmos”. O grande mérito do filme é fundir e confundir a história de vida da menina-mulher Joana com a história de vida do Brasil nas décadas de 1960 e 1970. Imagens retiradas de arquivos históricos nos remetem a esses tempos de trevas. Excelente produção que, sem dúvida alguma, vale a pena conferir!

Imagem: Pedro de Moraes

quinta-feira, 29 de março de 2012

Parabéns Salvador! Mais uma vez e sempre!!

Salvador está a completar 463 anos de existência nesta quinta-feira, 29 de março. Fundada por Tomé de Souza em 1549, a capital da Bahia nasceu sob o signo de Áries, primeiro signo do zodíaco, repleto de energia e luz. Aqueles cujo sol está em Áries nasceram para abrir caminhos, desvendar mistérios e realizar os mais impossíveis sonhos. O planeta que o rege é Marte, que nos traz força e energia para encarar as mais diversas situações. Isso explica o fato de um nativo de Áries estar sempre preparado para o que der vier e se caracterizarem pela espontaneidade e por uma energia que é puro impulso, marcada por um forte anseio por existir, assim como, por uma tendência a realizações instantâneas, pois vive sua vida no agora. Assim é Salvador, uma cidade que, embora tenha sido planejada em seus primórdios, hoje, vive de realizações instantâneas, presa ao presente, pois, devido às sucessivas décadas de descaso e descalabro político-administrativo, não consegue vislumbrar um futuro de brilho intenso, já que seu presente parece ser um eclipse sem fim. Mas mesmo os eclipses não duram para sempre. Sendo o primeiro signo do zodíaco, Áries é aquele que abre os caminhos e quem sabe aí os soteropolitanos não devam depositar suas esperanças. Áries marca o início do ano solar. Salvador marcou o início do nosso processo colonizador, o início da formação de um povo que hoje se chama brasileiro. Por conta disso, parabenizo sempre Salvador, minha cidade, chão onde meu umbigo foi enterrado, porto a partir do qual construí minha visão de mundo, horizonte onde aprendi a apreciar o belo, sítio sobre a qual aprendi a ser, simplesmente, pedaço de mundo regido por Áries como eu (por Silvio Benevides).

Imagem: Boris Vallejo

quarta-feira, 28 de março de 2012

Na Bahia nem tudo é baixaria

Na última terça-feira, 27/03, foi aprovado na Assembleia Legislativa da Bahia o Projeto Antibaixaria, como ficou conhecido o Projeto de Lei 19.237/2011, de autoria da deputada Luiza Maia (PT). Segundo fontes da própria Luiza Maia, após a aprovação do projeto, a deputada petista anunciou que percorrerá o Estado para que medidas semelhantes sejam regulamentadas nos municípios. “A luta não terminou, temos que estender esse debate para todos os cantos”, afirmou.

Segundo o jornalista Lucas Figueredo, a luta da deputada deve continuar porque ocorreram alterações no projeto original, a exemplo da “limitação do uso de recursos e a retirada do artigo que previa a proibição das danças e coreografias das músicas consideradas depreciativas à imagem feminina. A alteração foi proposta pelo deputado Paulo Azi (DEM), que se justificou dizendo que ‘alguns deputados consideram que o PL extrapola ao incluir as danças e coreografias’. A proposta foi votada e obteve 42 votos favoráveis e 11 contrários. Luiza Maia lamentou a alteração no projeto, mas afirmou não haver problemas. ‘Uma hora temos que ceder. Eu votei contra, mas eles venceram. O machismo é muito forte’, comentou”.

O projeto aprovado pelos deputados baianos é um dispositivo que visa tão somente impedir que o dinheiro público, cujo destino deve contemplar causas nobres como educação e saúde, por exemplo, seja utilizado para patrocinar a baixaria (para ser eufemisticamente generoso) perpetrada por supostos “artistas”, que utilizam os palcos para disseminar a violência, o preconceito e, também, a desmoralização de minorias sociais, especialmente as mulheres. A aprovação do projeto pelo legislativo veio em boa hora. O que antes poderíamos classificar como mero mau gosto, extrapolou todos os limites do bom senso e se transfigurou em grotesco. E o grotesco não tem nenhuma relação com brincadeira ou com a cultura popular, como apregoam alguns antropólogos imbecis. Tampouco significa censura ou cerceamento da liberdade de expressão, uma vez que esses supostos “artistas” continuarão livres para se expressarem do jeito que lhes aprouver, só que dessa vez sem o dinheiro público do Estado, oriundo do trabalho árduo de todos nós. Quem sabe esse não seja o primeiro passo para nos recuperarmos da decadência na qual nos encontramos. Parabéns, deputada Luiza Maia, pela iniciativa (por Silvio Benevides).

Imagem: Michel Dória

A homofobia por Luiz Mott

O antropólogo e historiador Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB) deu uma entrevista exclusiva para o Bahia Notícias a respeito dos números que colocam Salvador no primeiro lugar no pódio quando o assunto é assassinato de homossexuais em 2012. No bate papo, Mott critica ainda a segurança pública como um todo no estado e rebate aos que criticam as estatísticas com o argumento de que nem todos os crimes contra homossexuais são motivados por homofobia. “Quando as feministas divulgam os dados de agressão à mulher alguém questiona?”, pergunta. Sempre polêmico, Mott ainda responde à questão: “Você prefere ter um filho homofóbico ou ladrão”? (por James Martins e Andrei Amós)

Imagem: Marcus Gêmeos

terça-feira, 27 de março de 2012

Poema Falado: LUA ADVERSA

No mês de março, quando tudo principiou, o POEMA FALADO traz o texto da sempre magnífica Cecília Meireles intitulado LUA ADVERSA. Trata-se de um poema que retrata as contradições humanas como um dado intrínseco à natureza humana dos seres humanos. Natureza esta repleta de fases como de fases é repleta a natureza da lua. Desde a primeira vez que li este poema, logo me identifiquei, pois como já escreveu outro poeta magnificamente eterno, o Walt Whitman, “sou amplo, contenho multidões”. E tais multidões por vezes se estranham, gerando conflitos, por vezes se irmanam em profunda harmonia. E é para celebrar as multidões multifacetadas que dentro de mim habitam, que trago o maravilhoso poema da não menos maravilhosa Cecília Meireles. Eis o texto: “Tenho fases, como a lua / Fases de andar escondida, / fases de vir para a rua... / Perdição da minha vida! / Perdição da vida minha! / Tenho fases de ser tua, / tenho outras de ser sozinha. // Fases que vão e que vêm, / no secreto calendário / que um astrólogo arbitrário / inventou para meu uso. // E roda a melancolia / seu interminável fuso! / Não me encontro com ninguém / (tenho fases, como a lua...) / No dia de alguém ser meu / não é dia de eu ser sua... / E, quando chega esse dia, / o outro desapareceu...” Boa áudio-leitura! (por Silvio Benevides)

Imagem: Rick Baldridge

terça-feira, 20 de março de 2012

E se fosse seu filho?

Oi, meu nome é Cristhiano Teixeira, tenho 15 anos e estudo na Escola Estadual Onofre Pires em Santo Angelo – RS. Comecei a estudar lá esse ano no primeiro ano do ensino médio, desde que comecei a estudar lá venho sofrendo bulling por quase toda a turma e inclusive por parte de alguns professores, quando perguntei a minha professora de geografia porque ela não fazia nada enquanto eu sofria agressões verbais ela disse “a aula é uma democracia”, eu venho sendo agredido desde que me assumi gay, alguns alunos estavam simulando sexo oral e anal em um ursinho de pelúcia e me chamando de viado, viadinho, gayzinho, chupa rola, pau no cú entre todas as ofensas posiveis, e hoje durante a aula de física um colega de classe veio me xingando e perguntando se eu queria apanhar porque era viado, e eu respondi: eu não tenho medo de você, e na saída ele disse “se você não tem medo de mim, vai levar facada pra aprender”, no final da aula eu falei pra minha professora pra ficar um tempo a mais durante a aula, ela nem fez conta, eu não levei a serio, e sai da escola normalmente fiz uma menção a ficar mais tempo pra ajudar a professora (mas ela me ignorou e fez que não ouviu), eu sofri bulling na outra escola que eu estudei pelo mesmo motivo CORAGEM DE DIZER QUEM SOU, na saída ele veio em minha direção e gritou VOCÊ NÃO TEM MEDO DE MIM! e fez que ia tirar uma faca do bolso e eu peguei uma lapis da minha mochila pra me defender (agora eu percebi que foi uma ideia idiota), ele deu uma rasteira e me derrubou no chão (era no asfalto) e quebrou meu lapis, depois ele me segurou e começou a me chutar e a me dar socos, metade da turma viu e ninguem fez nada, isso foi de dia a tarde e no centro, muita gente viu e saiu do comercio pra me ajudar e para separar a briga (não sei se fariam o mesmo se soubessem o que eu sou) a diretora estava chegando e ela viu eu apanhando e ela me ajudou (tem professoras que são legais, mas tem algumas que são maldosas) ela me acudiu e também outras professoras do turno da tarde (que não sabiam que eu era gay) viram e me ajudaram, e me levaram para delegacia para eu fazer B.O eu cheguei muito assustado e nem disse que eu sou gay (SEI QUE TALVES SE EU TIVESSE DITO NINGUEM TERIA DADO ATENÇÃO), cheguei lá chorando e humilhado, eu tenho medo que aconteça alguma coisa comigo, eu queria que alguém me ajudasse! antes que eu virasse mais nas estatísticas de LGBT mortos, as vezes eu sinto que ninguém gosta de mim e que a unica solução pra mim é me matar, POR FAVOR ALGUEM ME AJUDA”!

O depoimento acima, enviado para o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, foi escrito por um jovem de 15 anos, constantemente agredido por seus colegas, assim como, pela omissão de seus professores, pelo simples fato de ter coragem e honradez de assumir quem de fato é, ou seja, homossexual. Enquanto o governo federal cede à pressão de parlamentares fundamentalistas religiosos e tantos outros insistem em dizer que homofobia não existe, ou, ainda, não passa de um exagero de militantes gays, inúmeros adolescentes brasileiros pensam em suicídio, ao passo que outros tantos são estupidamente assassinados, como foi o caso do Alexandre Ivo. Quantos mais precisarão morrer para que o Executivo e o Legislativo federais entendam que a homofobia, seja nas escolas ou nas ruas, é um mal que ameaça a sociedade brasileira e não apenas a população LGBTT? (por Silvio Benevides)


Imagem: Ricardo Lucchiari

NOTA OFICIAL DA ABGLT - MINISTRO MERCADANTE: O COMBATE À HOMOFOBIA TAMBÉM SE FAZ COM MATERIAL DIDÁTICO-PEDAGÓGICO NAS ESCOLAS

A ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), que agrega 257 organizações congêneres em todo o Brasil e possui status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas, em vista das declarações do Ministro de Educação, Aloísio Mercadante, sobre os materiais didáticos do Projeto Escola Sem Homofobia, de que os mesmos “não vão resolver a homofobia”, vem a público declarar:

1. Uma das prioridades de trabalho da nossa associação e seus grupos afiliados é combater a homofobia nos ambientes escolares, lutando por políticas públicas que estimulem o respeito à diversidade sexual nas escolas e enfrentem o grave problema do bullying homofóbico.

2. O projeto Escola sem Homofobia surge nesse contexto, na abertura de diálogo com o Governo Federal para começar a incidir concretamente na questão da homofobia na educação. O projeto é amplo – com produção de material didático, pesquisa, seminários, formação de rede, sensibilização de educadores, e foi vítima de ataques absurdos de setores fundamentalistas religiosos.

3. Infelizmente, o Governo Dilma vem cedendo cada vez mais às pressões desses setores religiosos homofóbicos e tem representado um lamentável retrocesso na construção de políticas públicas de combate à homofobia e de afirmação e reconhecimento dos direitos da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

4. A atitude da Presidenta Dilma Rousseff ao vetar os materiais didáticos e pedagógicos do Projeto Escola Sem Homofobia em maio do ano passado, somada às suas infundadas declarações sobre “propaganda de opções sexuais”, revelam absoluto desconhecimento do tema e provocaram não apenas um prejuízo no desenvolvimento de políticas públicas de enfrentamento à homofobia no campo da educação, como também estimularam o recrudescimento da onda fundamentalista religiosa e da violência homofóbica em nosso País. A este respeito convém enfatizar que, segundo os dados recolhidos pelo Grupo Gay da Bahia, uma pessoa é brutalmente assassinada no Brasil a cada 36 horas por sua orientação sexual e/ou identidade de gênero.

5. É óbvio que apenas a produção de materiais didáticos e pedagógicos não “resolvem” o problema da homofobia nas escolas, pois o enfrentamento desta questão exige transformações estruturais na educação e apontam, por exemplo, pela formação inicial e continuada de educadoras e educadores. Para tal, o Ministro Mercadante e o Ministério da Educação precisam assumir um posicionamento político, firme e inequívoco, que expresse um real compromisso com os Direitos Humanos e os princípios democráticos de liberdade, igualdade e não-discriminação inscritos em nossa Constituição Federal, cumprindo seu papel de proporcionar aos estudantes LGBT, em especial as/os estudantes travestis e transexuais, um ambiente de aprendizagem seguro, sem o qual é impossível estar numa sala de aula.

6. A questão dos materiais, para além da celeuma artificialmente produzida pelos conservadores, é apenas o início de um processo que deveria ter continuado, de construção de políticas educacionais para enfrentar a homofobia. Além disso, a ausência destes materiais acaba fazendo com que as/os muitas/os educadoras/es que já estão sensibilizados em favor da causa do respeito à diversidade sexual nas escolas se vejam sem instrumentos para trabalhar neste sentido. Pior ainda: a atitude do Ministério da Educação ao paralisar o projeto e qualquer outra ação de combate à homofobia provoca estigma sobre esse tema, causando ainda mais dificuldades para inserção do debate sobre o respeito à diversidade sexual nas escolas brasileiras.

7. E este quadro, como bem deve saber – e se não souber é bom que se informe – o Ministério da Educação (MEC) corrobora com as humilhações e agressões verbais e físicas sofridas cotidianamente por milhares de crianças e adolescentes nas escolas brasileiras baseadas na intolerância à diversidade sexual. A omissão do MEC o torna corresponsável por essa situação de homofobia que assola o ambiente escolar.

8. A ABGLT lamenta profundamente as equivocadas declarações do Ministro Aloísio Mercadante e manifesta sua indignação com mais esta atitude de homofobia institucional do Governo Dilma Rousseff, cuja credibilidade para as políticas públicas de proteção da população LGBT parece estar a ponto de se esgotar por completo e ressalta que esse será o norte de nossa III Marcha Nacional Contra a Homofobia a ser realizada no próximo dia 16 de maio, em Brasília, quando será cobrada a conta de centenas de mortes e outras formas de violências praticadas contra milhões de brasileiras e brasileiros, em decorrência de sua orientação sexual e identidade de gênero.