quinta-feira, 25 de outubro de 2012

VIII Panorama Internacional Coisa de Cinema vai acontecer em Salvador e Cachoeira

Entre os dias 25 e 30 de outubro, Salvador e Cachoeira, esta pela primeira vez, sediarão o Panorama Internacional Coisa de Cinema, em sua oitava edição. Com muitos filmes inéditos na Bahia, a programação apresenta mais de 30 produções, todas exibidas gratuitamente, no ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA-GLAUBER ROCHA, na Praça Castro Alves, na SALA WALTER DA SILVEIRA, Barris, ambas em Salvador, e, também, no AUDITÓRIO LEITE ALVES, do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), na histórica Cachoeira.

Em Cachoeira a sessão de abertura, que ocorre nesta quinta (25/10), às 20h30, traz quatro filmes da Competitiva Nacional de Curtas, incluindo o baiano “O menino do cinco”, de Marcelo Matos e Wallace Nogueira, que levou seis prêmios este ano no Festival de Gramado, e “A mão que afaga”, de Gabriela Amaral, diretora baiana radicada em São Paulo, com a mesma performance no Festival de Brasília, além de “Dizem que os cães vêem coisas”, de Guto Parente, do Ceará, e “Pra eu dormir tranqüilo”, de Juliana Rojas, de São Paulo. Após a exibição, os diretores participam de debate com a platéia.

Durante o festival, o público poderá conhecer a produção de estudantes de cinema da UFRB, que têm realizado curtas-metragens continuamente, conquistando reconhecimento e premiações. É o caso de Leon Sampaio, que atualmente escreve o roteiro do seu primeiro longa-metragem. Ele é diretor de “O cadeado”, a ser exibido na sexta dia 26 (18h30), que foi premiado no Festival Internacional de Curtas de São Paulo e exibido na Mostra de Tiradentes. No filme, ele mostra as reações de alunos e professores diante de uma escola sempre fechada, na qual sempre há um cadeado no portão.

Na mesma sessão está “Rua dos Bobos”, de Ohana Almeida, outra prata da casa, que apresenta uma mulher em processo de desapego das convenções sobre espaço e objetos. O trio de estudantes da UFRB se completa com “Entre Passos”, curta de Elen Linth sobre as dores da infância, que será exibido no sábado dia 27, às 18h10. Nas duas sessões com curtas baianos (seis filmes em cada), os diretores das produções exibidas estarão presentes e conversarão com o público ao final da sequência de filmes.

Além de apresentar as produções dos cineastas em formação na UFRB, o Panorama traz também filmes já consagrados, como os longas-metragens “A febre do rato”, de Cláudio Assis, e “Histórias que Só Existem Quando Lembradas’, de Julia Murat. O primeiro é o filme brasileiro indicado ao Prêmio Goya, considerado o Oscar espanhol, e tem premiações acumuladas nos festivais de Paulínia, Triunfo e no Cine Ceará. O segundo é uma das produções brasileiras mais premiadas no exterior, tendo recebido troféus nos festivais de Cinema Brasileiro de Paris, de Cartagena (Colômbia) e de Abu Dhabi (Emirados Árabes).

O público de Cachoeira poderá conferir, também, uma iniciativa inédita na trajetória do evento: a parceria com o Animage – Festival Internacional de Animação de Pernambuco. Com isso, sete animações de diversas partes do mundo, desde o Brasil à distante Estônia. Vale ressaltar que são filmes que, dificilmente, entrarão em circuito exibidor em Salvador ou qualquer cidade brasileira (Fonte: Coisa de Cinema).

Imagem: Pierre Themotheo e Fabio Abreu.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Eleições 2012: as doenças de Salvador

Em 2007, a Bahia, e por que não dizer o Brasil, se livrou definitivamente de um Aviltoso Cancro Mole. Cinco anos depois, uma mutação genética fez surgir um Aviltoso Cancro Mole Nevrótico. Este, porém, apesar do baixo grau de malignidade não deve ser ignorado, pois, dada a sua origem, o estrago pode ser grande. Entretanto, um outro tipo de doença, igualmente devastadora e já bastante conhecida dos soteropolitanos. chega para ameaçar a Bahia e, em especial, Salvador. Agora, a doença da vez se chama Granuloma Venéreo Lacerante, que provoca a formação de enormes úlceras (feridas) e a destruição dos tecidos, sobretudo o social. Essa doença chega como quem não quer nada, mas a saúde pública alerta: o Granuloma Venéreo Lacerante é uma doença muito perigosa. Ela insiste em se impor e não sossegará enquanto não tomar conta de tudo para instituir um novo império do terror. Há oito anos os soteropolitanos foram profundamente afetados por conta dessa doença nos meios políticos locais. Graças a essa doença Salvador se encontra chafurdada na merda, repleta de úlceras e lixo por todos os lados e cantos, sufocada por enormes engarrafamentos, entregue à ganância estúpida de uma elite política e econômica irresponsável e anacrônica que faz a cidade crescer sem planejamento e sem perspectiva alguma de transformação. Sim, graças ao Granuloma Venéreo Lacerante a atual gestão que está à frente da Prefeitura de Salvador desde 2004 foi eleita e, o que é pior, reeleita. Três dias após as eleições municipais ele reaparece para apoiar o tal do Aviltoso Cancro Mole Nevrótico. Povo de Salvador abra o olho na hora de votar! Não permitamos que Salvador adoeça ainda mais (por Silvio Benevides).

Imagem: Silvio Benevides.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A greve mais longa da história dos docentes federais se encerrou hoje na UFRB

Saída da greve, sim, mas não da luta. Essa foi a decisão tomada pelos docentes da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) em assembleia dessa quinta-feira (13). Os professores decidiram voltar às atividades acadêmicas na próxima segunda-feira (17), com indicativo de retorno às aulas no dia 24 de setembro, já que essa é uma etapa que necessita da discussão prévia do calendário. Os docentes apresentarão uma proposta de calendário ao Conselho Acadêmico (CONAC) e à reitoria.
Além da saída da greve, os docentes, em unanimidade, apontaram que o PROIFES não os representa porque à revelia da base e dos demais sindicatos, foi o único a assinar o acordo proposto pelo governo no dia 01 de agosto.  Acordo este que, entre outros pontos, não leva em consideração questões como a carreira e a melhoria das condições do trabalho docente.

O presidente da Associação dos Professores Universitários do Recôncavo (APUR), Herbert Toledo, confirmou ser esse o momento oportuno para a saída da greve, no entanto enfatizou que isso não significa fim da luta docente: “Precisamos continuar avançando aqui dentro da UFRB, no sentido de mobilizar os professores e continuar lutando pelas melhorias nas condições de trabalho. Nós vamos continuar lutando, pressionando o governo, mostrando as contradições em relação ao discurso e a prática que ele tem no que se refere à educação”, afirmou o presidente.

Para Herbert, a greve foi extremamente positiva não só no âmbito nacional, pois consegui alcançar mais de 90% das universidades e institutos federais, mas especialmente para UFRB: “Por intermédio de todas as manifestações e mobilizações que nós fizemos, consolidamos a coisa mais importante para essa universidade, que até então não tínhamos, que é o sentimento de pertencimento, nós criamos, a partir desse movimento, o orgulho de sermos professores da UFRB”, enfatizou o professor.

O professor do Centro de Formação de Professores (CFP), Luiz Paulo Oliveira, também salientou a unidade entre os docentes como sendo um dos grandes ganhos da greve: “Os docentes se reconheceram como professores e como trabalhadores para além de serem professores de determinado Centro. Nós começamos, de fato, a construir uma identidade e, de certa forma, reconhecermos que a nossa luta está para além da greve, ela é, na verdade, um dos instrumentos de luta das nossas reivindicações”, pontuou Luiz Paulo.

Luiz Paulo ainda colocou que a greve, a mais longa de toda a história do movimento docente, conseguiu mostrar a capacidade de luta dos professores das universidades federais, bem como a fragilidade do governo federal: “Esse movimento mostrou a capacidade docente de se organizar nas bases para pautar politicamente as suas reivindicações e, ao mesmo tempo, apresenta uma conjuntura na qual o governo se mostra sem habilidades políticas para dar conta das discussões”, disse o professor.

Ambos os professores chamaram a atenção para o fato de a greve ter conseguido dar visibilidade às péssimas condições de trabalho, principalmente nas universidades recém criadas, como é o caso da UFRB. Para Luiz Paulo, a mobilização mostrou que ainda há muitas demandas nesse processo de expansão das universidades federias: “Mesmo em face à precarização do trabalho, às péssimas condições de trabalho e os desafios que nós temos, e os que estão postos nesse processo de expansão das universidades, a greve mostrou que é possível os trabalhadores e os professores darem resposta coletiva a esse processo”, ressaltou o docente (Fonte: APUR).
 
Imagem: APUR

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O 2 de Julho de 1823 e sua importância para o Brasil

De acordo com o historiador Braz do Amaral, “quando, nas Cortes de Lisboa, se feriu a célebre luta parlamentar de que resultou o rompimento dos representantes brasileiros que se retiraram para Inglaterra, enviaram os deputados baianos uma consulta às câmaras desta província, que é um dos mais notáveis papéis daquela época e que revela a consciência, já possuída pelos baianos em assunto de tal magnitude, que evidência ainda não ter sido a independência um fato que dependesse da aquiescência, ou da ação e do gesto de D. Pedro, como parece indicar o ter sido feita a comemoração, na data centenária desse gesto.

As Câmaras da Bahia se manifestaram por um governo próprio no Brasil, pelo que deram, depois de acordarem nisto, a sua adesão ao príncipe regente, o que foi causa de querer o general português Ignácio Madeira, assim como o partido lusitano, submetê-las pela força. Elas, por seu turno, armaram os cidadãos, constituíram um governo provisório em Cachoeira e iniciaram a guerra contra a metrópole.

Está se vendo em tudo isso ação consciente, independente, partida dos brasileiros, em plena posse de si mesmos e obedecendo às suas próprias inspirações, legislando e resolvendo o que é coisa muito diversa da situação em que os nacionais se encontram na declaração aquiescente do Fico e do incidente do Ypiranga, os quais são falsamente apregoados como os atos decisivos da independência, para justificar a comemoração no Rio e em São Paulo.

Note-se que quando se deu o incidente do Ypiranga já elas, as câmaras da Bahia, se haviam organizado, resistindo às tropas portuguesas, em ato de franca rebeldia, pelo que já era uma coisa real na Bahia ser preferida à morte a não ficar independente.

Conferindo as datas, se verifica ter sido o grito do Ypiranga no 7 de setembro, quando já antes disto se havia dado começo às hostilidades em Cachoeira, no dia 25 de junho e se havia já constituído também na Bahia o governo provisório do Recôncavo, em 17 de agosto, para dirigir a resistência contra as tropas portuguesas, governo composto de deputados eleitos pelas vilas sublevadas da província. Com este governo se entendeu desde junho de 1822 o príncipe regente, muito antes, portanto, do incidente do Ypiranga.

Ninguém pode contestar que o general português Ignácio Madeira, comandante das tropas lusitanas, não fez caso das intimações e dos meios de sedução empregados pelo governo do Rio de Janeiro, para levá-lo a trair o seu juramento e que resistiu a tudo, donde forçosamente se conclui que a independência não estava feita com o dito e o grito citados, tanto que foi preciso enviar um general para comandar os insurrectos independentes, organizar de forma regular as tropas de voluntários que se estavam concentrando no Recôncavo e discipliná-las como convinha.

Tal foi a tarefa do general francês Pedro Labatut, ao qual o mesmo governo do príncipe D. Pedro mandou depois instruções. Nem foi apenas uma pequena luta regional, de somenos importância, a que se feriu na Bahia, como se verifica pelo efetivo da força naval portuguesa nas águas deste porto, assim como pela importância do exército metropolitano, além de tudo mais que consta da correspondência e dos documentos da época. Os independentes repeliram as forças portuguesas no lugar chamado Funil, do que resultou ficar a guarnição da cidade, assim como a esquadra privados dos recursos de boca, até então fornecidos pela região fértil de Nazaré.

Pretendeu Madeira se desembaraçar do abraço fatal que lhe impunham as forças dos rebeldes independentes, cortando o exército atacante na base da península em que está situada a capital e esmagando-o ali, pelo que lançou em 8 de novembro de 1822 as suas colunas de ataque sobre as alturas de Pirajá, sendo elas desbaratadas, com perdas consideráveis. Em 7 de janeiro de 1823, a esquadra portuguesa, incomodada pela ação de uma flotilha de barcos que os baianos, haviam organizado para esfaimar a guarnição da cidade, tentou um desembarque na ilha de Itaparica e foi repelida.

Tanto era uma questão de vida ou de morte a guerra da independência na Bahia, e assim o entenderam todos, tanto daqui dependia a sorte da nascente nacionalidade que de vários pontos marcharam brasileiros, ao apelo do governo do príncipe D. Pedro, para ajudar os baianos no grande prélio.

Pernambucanos, fluminenses e mineiros vieram compartir os perigos, sacrifícios e esforços que os baianos faziam pela causa da independência, distinguindo-se os pernambucanos pelo seu extremo valor.

O exército pacificador, nome que havia tomado o dos revoltosos baianos, tinha a força de 10.148 homens, com os quais fez o assédio da cidade, o qual durou nove meses, fora a guarnição nos pontos estratégicos de Itaparica, os quais ocupavam 3.257 praças, ao passo que a esquadrilha dos barcos baianos que impedia a chegada de vitualhas ao exército português era tripulada por 710 marinheiros.

Quando, em maio de 1823, a esquadra de Lord Cochrane surgiu na costa da Bahia, tomando para base das suas operações o porto do Morro ou ilha Tinharé, o efetivo da força naval dos brasileiros, aumentou, sendo, porém sempre inferior a dos portugueses, que tinham vinte navios e mais uma flotilha de canhoneiras, opondo ao inimigo 494 bocas de fogo e 5.000 marinheiros.

Quanto ao exército português ele constava de uma força respeitável de cavalaria, da Legião Constitucional Lusitana, composta de infantaria e uma companhia de artilharia, e vários batalhões de infantaria, uma brigada de artilharia, uma legião de caçadores e os batalhões 2,3,4 e 5 de segunda linha. Este exército precisou, durante o cerco, além das enfermarias que já tinha transformar em hospitais o convento dos Agostinhos à Palma, parte do de S. Francisco e a grande casa de João de Freitas.

Quanto ao exército pacificador, ainda era pior a situação, porque investia e atacava, não tendo equipamento de campanha, pelo que, não somente perdia mais gente nos combates, como tinha uma quantidade espantosa de doentes, principalmente vítimas de impaludismo e das intempéries, as que estavam expostos os soldados, do que resultava uma enorme quantidade de baixa aos hospitais, fatos que indicam a importância das operações dos dois exércitos e os seus sofrimentos.

A fome acompanhou a guerra e o general sitiado que, à princípio, havia proibido a saída das bocas inúteis, se viu obrigado a permiti-la depois. Basta dizer que da segunda vez em que tal permissão se deu, somente em 18 dias, de 10 a 28 de maio saíram da cidade 9.274 pessoas, registradas, fora as que fugiram, escapando ao registro.

Esta população, pela maior parte sem abrigo, faminta e coberta de andrajos, vagou entre os dois exércitos, acuada pela falta de alimentação que era também um dos flagelos das tropas na campanha, e boa parte dela pereceu de miséria pelos matos, à beira dos caminhos e dos riachos e lagoas.

Por três vezes o exército dos independentes avançou sobre a cidade, para acabar a guerra por um assalto geral, mas foram outras tantas obrigadas a recuar, diante da tríplice linha de trincheiras, com as quais as tropas aguerridas de Madeira tinham coberto a Bahia.

Como o cerco se prolongasse na luta tenaz de que dependia a sorte do Brasil, o governo chamou lorde Crochrane do Chile, a fim de organizar uma esquadra e a comandar, a qual foi a primeira que o Brasil apresentou no mar e que largou a bandeira dessa nossa nação na costa da Bahia, quando ela pela primeira vez tremulou diante de um inimigo.

Ninguém porá em dúvida semelhante asserção, em face do documento oficial o qual foi lavrado para estabelecer o bloqueio e a guerra marítima. Por tais razões, não se pode deixar de contestar que a independência se houvesse feito, como por milagre, apenas com um dito e um grito do príncipe D. Pedro e que se comemore isto como os fatos decisivos da independência nacional.

Restringir a comemoração da independência ao Rio de Janeiro e a São Paulo é absurdo, pois, no que se sabe do Ypiranga não há um ato do povo brasileiro, nem coisa notável que o honre, pela idéia, ou pela abnegação, pelo altruísmo, ou por qualquer coisa de importância e relevo.

O fato culminante da independência se deu aqui na Bahia, pela ação das câmaras municipais, o que é um acontecimento digno de ser citado, porque foi uma resolução de gente capaz da liberdade, pela resistência do povo, pela sua constância na luta e pelo seu valor no sofrimento, assim como pelos outros fatores que vieram, de pontos diversos, concorrer para o triunfo, o qual foi, na realidade, a vitória da causa nacional, como se compreende lendo a parte de Cochrane, datada do mar, diante da Bahia, quando a esquadra inimiga estava a sair do porto, levando o exército que deixava o Brasil livre deveras, e vendo como o primeiro imperador do Brasil agradeceu às tropas que haviam firmado a existência da nova nacionalidade entre os povos constituídos do mundo.

A data que deve ser celebrada comemorando a independência do Brasil, para bem da honra e do decoro desta nação, deve ser a assinalada pela sua primeira campanha, pelo esforço que o seu povo empenhou numa luta, entremeada de triunfos e de revezes, na qual há lances capazes de memoração, fatos de valor e de coragem, combates que se podem contar sem pejo, pois tais são as coisas nobilitantes que dão honra e glória a um povo, o que somente se deu a 2 de julho de 1823, quando, para escapar a uma capitulação iminente, o exército e a frota de Portugal evacuaram a Bahia (por Braz do Amaral. In: Ação da Bahia na obra da independência nacional).


Imagens: Maria Quitéria (1920), por Domenico Failutti; Gal Meirelles, Caboclo de Itaparica

Caboclos: os símbolos da independência

Os festejos do Dois de Julho têm como principais símbolos o Caboclo e a Cabocla. Conforme nos diz a historiadora Wlamyra Albuquerque em seu trabalho “Algazarra nas ruas”, trata-se de “esculturas de indígenas que, até hoje, saem às ruas para fazer parte do cortejo cívico celebrativo da Independência da Bahia”. O Caboclo foi popularmente eleito como símbolo de um povo mestiço que lutou por sua independência. O negro não podia ser o representante do povo brasileiro, porque, além de escravo, à época, negros e mulatos eram vistos como gente inferior. Tampouco podia ser o branco, já que brancos eram os portugueses, os inimigos de então. Sendo assim, restou o caboclo, mestiço de branco com índio, o legítimo habitante da terra, pois já se encontrava aqui muito antes do colonizador chegar. Mais tarde, surgiu a Cabocla, símbolo da docilidade atribuída à mulher-mãe brasileira, como um contraponto à figura do Caboclo guerreiro e vencedor. De acordo com Wlamyra Albuquerque (op.cit.) “a figura do Caboclo passou a fazer parte destas comemorações em 1826: depois da vitória sobre os portugueses na batalha de Pirajá, os baianos lhes tomaram uma carreta – transformando-a em troféu – a qual enfeitaram com folhas de café, cana, fumo, simbolizando os frutos da terra. Sobre ela colocaram um descendente indígena. Posteriormente este foi substituído pela escultura de um índio, simbolizando a raça brasileira. Um novo carro foi encomendado em 1840 para transportar a figura da Cabocla, uma representação de Catarina Paraguassu, a índia que teria se casado com o lendário Caramuru selando, assim, a aliança entre portugueses e nativos” (por Silvio Benevides).

Imagem: Silvio Benevides

Espanha: Campeã outra vez!

A despeito da crise econômico-financeira que a Europa está enfrentando, em especial a Grécia e a Península Ibérica, os espanhóis têm o que comemorar. Ontem, 01 de julho, a Espanha consagrou-se, outra vez, campeã da Eurocopa, vencendo a Itália por 4 a 0.  Com gols David Silva, Jordi Alba, Fernando Torres e Juan Mata, os espanhóis – criticados por alguns idiotas pelo seu jogo de passes rápidos – asseguraram o título. Liderada pelo técnico Vicente Del Bosque, a esquadra espanhola é a primeira seleção a conquistar em três grandes torneios consecutivos: a Eurocopa 2008, a Copa do Mundo de 2010 e, agora, a Eurocopa 2012. Grande feito para o futebol de um país que, não faz muito tempo, era considerado inexpressivo, exceto pelos times do Barcelona e do Real Madrid.

Na final de ontem os espanhóis atacaram desde o início da partida. Aos 14 minutos do primeiro tempo saiu o primeiro gol. Andres Iniesta driblou a defesa italiana com um passe preciso para Cesc Fábregas, que, por sua vez, tocou para Giorgio Chiellini, que da linha de fundo cruzou para Silva marcar de cabeça. Um gol fantástico resultante de um belo trabalho em equipe. Os italianos contra-atacaram com Antonio Cassano, fazendo a estrela do goleiro espanhol Iker Casillas reluzir por duas vezes. Mas a Espanha ampliou o placar quatro minutos depois quando Xavi deixou Alba cara a cara com o goleiro italiano Gianluigi Buffon para marcar o segundo gol. Aos 39 minutos do segundo tempo, Torres marcou o terceiro gol. Faltando dois minutos para o árbitro português finalizar a partida, Mata matou a partida com o quarto e último gol. Simplesmente sensacional. Parabéns Espanha! Espero que em 2013, na Copa das Confederações, e/ou na Copa do Mundo de 2014 a Espanha jogue em Salvador, já que na capital baiana está uma das maiores, senão a maior, colônia espanhola do Brasil (por Silvio Benevides).

Imagem: AFP

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Até quando a homofobia continuará matando no Brasil?

Para quem ainda duvida que é preciso enquadrar a homofobia como crime no Brasil e para quem acha que a aprovação do PLC 122/2006, que visa criminalizar a homofobia no país, é fruto de oportunismo ou uma mera besteira, sugiro que leia a notícia que foi divulgada pela imprensa sobre os irmãos gêmeos univitelinos que foram espancados (um deles não resistiu aos graves ferimentos) por suspeitosos homofóbicos na cidade de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, após saírem abraçados de uma festa junina e, por isso mesmo, foram confundidos com um casal homossexual por suspeitosos agressores (vide notícia abaixo). Trata-se de mais um caso de homofobia, semelhante àquele que pai e filho foram espancados porque trocavam carinhos após saírem de uma festa de boiadeiro e, também por isso, foram confundidos com um casal de homossexuais. Os questionamentos que ficam são os seguintes: até quando o Congresso Nacional compactuará (por omissão) com crimes de ódio motivados pela homofobia? Até quando assassinos continuarão livres para matar impunemente? Até quando imbecis permanecerão tendo direito de propagar o seu ódio contra homossexuais, travestis e transgêneros e utilizando em vão o santo nome do Senhor para justificarem-se? Até quando a sociedade brasileira continuará mergulhada nas trevas da intolerância? A homofobia não é apenas crime, é, também, uma grave doença que põe em risco toda a sociedade! E doenças dessa natureza devem ser tratadas com educação e leis rigorosas. Conforme escreveu o advogado e professor Enézio de Deus, “o Brasil precisa pagar a sua dívida histórica para com as chamadas ‘minorias sexuais’, em face do sentimento odioso que ainda movimenta tantas mentes preconceituosas: a homo(trans)fobia. Foi tal sentimento, desdobrado em ações brutais, que levou a óbito, esta semana, um dos irmãos gêmeos, no município de Camaçari-BA, pelo fato de os mesmos, ao externarem afeto um pelo outro (abraçarem-se em público), terem sido confundidos como um casal homossexual. Esta é a prova contundente de que, infelizmente, no ‘país do carnaval, das outras tantas festas e da liberação’, as discriminações com base na orientação homoafetiva ou na transgeneridade das pessoas atingem índices alarmantes, a clamarem intervenções sérias e mais educação pelo respeito efetivo à diversidade”. Pois é, está mais do que na hora do Brasil dar um basta a esta situação criminalizando a homofobia, assim como todo e qualquer discurso que incite o ódio contra a população LGBTT (por Silvio Benevides).

Irmãos são agredidos ao andarem abraçados em Camaçari; um morreu – Dois irmãos gêmeos foram agredidos ao andarem abraçados próximo a um evento junino em Camaçari, município na região metropolitana de Salvador, segundo informações da 18ª delegacia da cidade. Um dos rapazes, de apenas 22 anos, não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo. O crime ocorreu na madrugada de domingo (24/06).

A delegada responsável pela unidade policial, Maria Tereza Santos Silva, trabalha com a suspeita de homofobia. Ela conta que oito pessoas participaram das agressões aos rapazes, que foram socorridos pelo Samu para o Hospital Geral de Camaçari (HGC). “Assim que soubemos do ocorrido iniciamos as investigações. Cinco jovens estão custodiados aqui na delegacia, todos já foram ouvidos, mas eles não apresentam justificativa para as agressões, além de não possuírem passagem anterior pela polícia. Trabalho com a suspeita de homofobia”, indica a delegada.

O sobrevivente da agressão sofreu fraturas no rosto e já teve alta médica. De acordo com informações de familiares, ele seguiu para Pernambuco na tarde de segunda-feira (25/06), onde foi realizado o enterro do irmão morto. A família ainda não retornou para Camaçari.

Meu irmão era tudo pra mim” – Emocionado e ainda se recuperando dos ferimentos sofridos, o jovem José Leandro da Silva, de 22 anos, descreve nesta quarta-feira (27/06) o momento em que soube da morte do irmão gêmeo, três dias após uma série de agressões que os dois passaram em Camaçari, município na região metropolitana de Salvador. “Senti meu coração parar, senti que tinha perdido algo. Minha irmã disse que eu tinha que ser forte. Eu pensava que meu irmão estava vivo, foi uma dor muito grande, meu irmão era tudo para mim, companheiro, amigo... Nossa ligação era muito forte”, diz.

Os gêmeos foram agredidos ao andarem abraçados próximos a um evento junino na madrugada de domingo (24/06). A delegada Maria Tereza Santos Silva, que está à frente das investigações, diz que trabalha com a suspeita de homofobia. Leandro também acha que não há outra justificativa para as agressões, mas não compreende porque foram confundidos com um casal homossexual. “Acho que foi homofobia, achavam que a gente era gay, mas não entendo, éramos gêmeos idênticos, era evidente que éramos irmãos. Eu apenas coloquei a mão em cima do ombro dele! Sempre fomos do bem, honestos, nunca nos envolvemos com nada errado, drogas... Até mesmo na festa, não teve nenhuma confusão, não mexemos com a mulher de ninguém”, observa Leandro. Leonardo era casado e deixa a esposa grávida de quatro meses. Já Leandro está solteiro e tem uma filha de quatro meses.

Além de perder o irmão, Leandro teve o maxilar quebrado em três lugares, quase teve o olho esquerdo perfurado e ainda terá que ser submetido a uma cirurgia. “Meu rosto está bem ferido, roxo. Sinto muita dor na cabeça e nas costas. Não consigo entender, estávamos saindo da festa, indo para casa, quando fomos surpreendidos. A gente nem viu de onde eles vieram, já chegaram batendo, chamando a gente de mulherzinha. Tentamos correr, mas eles tinham punhal, faca, pedra...”, lembra Leandro. Segundo a delegada da 18ª Delegacia de Camaçari, oito homens participaram das agressões e cinco deles estão detidos na unidade policial (Fonte: G1 Bahia).

Imagem: Deco Cury e Rick Day

Tristes tempos: na Bahia aulão é sinônimo de educação

Muito se fala sobre educação e sua capacidade de emancipar indivíduos, de modificar trajetórias, de superar preconceitos e tabus, de transformar povos e nações. De fato, a educação tem essa força, mas somente se for tratada com a devida seriedade e isso inclui não percebê-la, tão somente, como um meio para se ganhar dinheiro fácil. Infelizmente, hoje, o que se vê na Bahia é exatamente o estupro da educação pública estadual. De um lado, um governo cínico que no discurso coloca a educação como prioridade, mas, na prática, se recusa a dialogar com os profissionais da área; de outro, profissionais que, aparentemente, são da área e, sem nenhum escrúpulo, se aproveitam da situação para faturar uma grana alta, grana esta oriunda dos cofres públicos. O que dizer, então? Triste Bahia, ó quão dessemelhante? Não. Afinal, nestas paragens a educação nunca foi prioridade e não é de hoje que ela virou alvo de profissionais inescrupulosos e sem nenhuma noção de ética, preocupados, apenas, em obter lucros exorbitantes, sejam estes oriundos do bolso dos estudantes ou dos cofres públicos. não consigo vislumbrar um futuro promissor para um estado e um país que não entende que educação é coisa séria, muito séria (por Silvio Benevides).


Confira este LINK.

Imagem: Sidney Falcão

segunda-feira, 25 de junho de 2012

25 de junho: a independência do Brasil em Cachoeira, Bahia

A Independência do Brasil ocorreu no dia 7 de setembro de 1822, segundo afirmam os historiadores mal informados e formados que continuam a acreditar e a alardear que a história desse país se resume tão somente aos fatos passados no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Sem querer desmerecer o brado retumbante do Imperador D. Pedro I, não se proclama uma independência na base do grito. Mesmo no caso brasileiro, cujo processo independência foi protagonizado pelo filho do rei de Portugal, houve derramamento de sangue. E isso ocorreu não apenas nas campinas de Pirajá, mas, também, nas terras do Recôncavo Baiano, mais precisamente na Cidade Heróica de Cachoeira. Conforme escreveu o professor cachoeirano Jadson Luiz dos Santos (Cachoeira: três séculos de história e tradição. Salvador: Contraste Editora Gráfica, 2001), a história de Cachoeira está diretamente ligada ao episódio da independência do Brasil, pois dela partiu o primeiro grito por liberdade. Segundo ele, “o descontentamento causado na população baiana face a posse do Brigadeiro Ignácio Luiz Madeira de Melo como Governador das Armas da Bahia foi, sem dúvida, uma das razões que apressou o movimento contra o domínio português”.

De acordo com o historiador canadense Hendrik Kraay: “A sangrenta Guerra da Independência na Bahia iniciou-se em fevereiro de 1822, quando Portugal nomeou o brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo (1775-1835) para o comando das tropas baianas no lugar de um oficial baiano. A substituição desencadeou a revolta da população, da Câmara e de muitos dos militares baianos, que foram derrotados durante três dias de lutas (de 19 a 21 de fevereiro) e obrigados a fugir. Aos poucos, a partir da articulação dos grandes senhores de engenho do Recôncavo, constituiu-se o Exército Pacificador, composto de soldados e milicianos que haviam deixado Salvador após a derrota, milicianos locais e batalhões provisórios organizados por baianos patriotas, que lutavam contra os portugueses, a favor da Independência” (In: Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 48, setembro de 2009).

Nesse período a soldadesca portuguesa, além de atacar residências particulares, invadiram o Convento da Lapa, em Salvador, matando a abadessa Joana Angélica de Jesus, que, temendo a profanação da castidade das demais freiras, colocou-se diante da porta de entrada do convento como último empecilho aos invasores. Segundo consta, a abadessa teria dito: “Para trás, bandidos. Respeitem a Casa de Deus. Recuai, só penetrareis nesta Casa passando por sobre o meu cadáver”. E assim foi feito. A destemida freira foi assassinada com golpes de baioneta. Já o capelão, Padre Daniel da Silva Lisboa, foi gravemente ferido.

Diz o professor Jadson Luiz (op.cit.): “sendo as garantias e a tranqüilidade perdidas, parte da população deixa a cidade de Salvador e segue para as vilas do Recôncavo, principalmente as vilas de Santo Amaro e de Cachoeira, sendo seguida por alguns oficiais e soldados brasileiros. Ao tomar conhecimento de que em Cachoeira havia um movimento revolucionário, mandou uma canhoneira de guerra subir o Rio Paraguaçu e ancorar em frente a vila a fim de vigiá-la”. Reunidos em Cachoeira, segue o professor, “conseguiram os patriotas cachoeiranos sensibilizar a simpatia de homens de armas que arregimentaram algumas forças, tendo à frente o comandante de Cavalaria José Garcia Pacheco de Moura Pimentel e Aragão, a mais alta patente”.

Devido às circunstâncias de acentuada hostilidade e constantes escaramuças, o Sr. Francisco Gê de Acaíba Montezuma, por meio de uma carta de sua autoria lida na casa do major José Joaquim d’Almeida e Arnizán, conclamou a Câmara a proclamar com urgência o príncipe D. Pedro como Regente do Brasil antes que os portugueses fizessem, o que acabou antecipando o movimento. Assim, segundo o professor Jadson Luiz (op.cit.), as tropas que se encontravam em Belém e no Iguape seguiram para Cachoeira e, deste modo, “ao amanhecer do dia 25 de junho de 1822, as tropas chegadas de Belém ficaram concentradas na Praça da Regeneração. Nessa ocasião, Antônio Pereira Rebouças falou ao povo, convidando a todos a assistir à sessão da Câmara, que aclamaria Dom Pedro. Ao mesmo tempo que chegava o Cel. Rodrigo Antônio Falcão Brandão, mais tarde Barão de Belém, comandando uma centena de bravos do Iguape e de outras localidades, dirigindo-se, também, para a Praça da Regeneração (atual Praça da Aclamação) vindos pelas ruas dos currais velhos...As tropas e o povo ocuparam a praça, a Rua da Matriz e adjacências”.

A reação das forças enviadas a Cachoeira por Madeira de Melo para vigiar a vila foi imediata. O Navio de Guerra Português atracado no Paraguaçu atacou a vila. De acordo com o professor Jadson Luiz (op.cit.) “os primeiros tiros da Canhoneira Portuguesa atingiram o sobrado de número 2 da Rua da Matriz e o Cais dos Arcos, saindo feridos três soldados, morrendo naquela ocasião o Tambor Soledade, perpetuado na tela de Antônio Parreiras...Os cachoeiranos contra atacaram e a luta começou”...e...“continuaram até a tarde do dia 28 de junho de 1822, quando o comandante português mandou um ofício às autoridades cachoeiranas no qual ameaçava arrasar a vila se continuasse a resistência. Reorganizada a defesa, o fogo intensificou-se e, à meia-noite desse mesmo dia, a conhoneira hasteava a bandeira branca...A vitória foi assinalada e festejada na mesma noite com todos as casas iluminadas e as ruas invadidas pelo povo dominado pelo entusiasmo. Após o 25 de junho de 1822 outras vilas do Recôncavo aderiram ao movimento, aclamando o Príncipe Regente”. Nesta data as lutas pela independência do Brasil tiveram início cujo ápice é o 2 de julho de 1823, quando ocorreu a Batalha do Pirajá em Salvador, e não o 7 de setembro, um mero gesto simbólico que representa, na melhor das hipóteses, tão somente a adesão de Dom Pedro ao movimento que exigia a independência administrativa, política e econômica do Brasil (por Silvio Benevides).

Imagem: O Primeiro passo para a Independência (1931), tela de Antônio Parreiras.

Onde está Wally?

Hoje, data em que a cidade de Cachoeira comemora o início das lutas pela independência do Brasil na Bahia, ocorreu algo inusitado. Todos se perguntavam: onde está Wally? Os festejos tiveram início com uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. No interior do templo, as autoridades e os outrora “homens bons”. Na porta, o povo. Entre o povo, professores da rede pública estadual em greve desde o dia 11 de abril de 2012, a gritar palavras de ordem. E onde estava Wally? Havia no ar uma expectativa para se saber onde se encontrava Wally. De repente um som de helicóptero. Seria Wally a chegar? Talvez, afinal era um helicóptero oficial. A aeronave pousou no estádio municipal. A comitiva despontou na rua. E Wally? Wally não veio. Quem veio foi o vice dele. Por quê? Seria excesso de compromisso? Como, se a transferência do governo para o município de Cachoeira, nesta data, foi definida em lei aprovada pela Assembléia Legislativa da Bahia e sancionada pelo próprio Wally em 2008, para homenagear os heróis cachoeiranos que, no dia 25 de junho de 1822 deram início às lutas contra os portugueses pela Independência do Brasil, culminando no 2 de Julho, em 1823? Seria medo de enfrentar os professores em greve, greve esta que não tem como ser justificada, afinal, já dura mais de 70 dias? Ninguém entendeu o motivo de tal ausência e como se isso não bastasse, os professores grevistas em protesto foram encurralados num pequeno espaço que lembrou a muitos presentes um curral. Isso mesmo, os professores foram encurralados e Wally nem aí pra isso (por Silvio Benevides).

Imagem: Silvio Benevides