segunda-feira, 2 de julho de 2012

Espanha: Campeã outra vez!

A despeito da crise econômico-financeira que a Europa está enfrentando, em especial a Grécia e a Península Ibérica, os espanhóis têm o que comemorar. Ontem, 01 de julho, a Espanha consagrou-se, outra vez, campeã da Eurocopa, vencendo a Itália por 4 a 0.  Com gols David Silva, Jordi Alba, Fernando Torres e Juan Mata, os espanhóis – criticados por alguns idiotas pelo seu jogo de passes rápidos – asseguraram o título. Liderada pelo técnico Vicente Del Bosque, a esquadra espanhola é a primeira seleção a conquistar em três grandes torneios consecutivos: a Eurocopa 2008, a Copa do Mundo de 2010 e, agora, a Eurocopa 2012. Grande feito para o futebol de um país que, não faz muito tempo, era considerado inexpressivo, exceto pelos times do Barcelona e do Real Madrid.

Na final de ontem os espanhóis atacaram desde o início da partida. Aos 14 minutos do primeiro tempo saiu o primeiro gol. Andres Iniesta driblou a defesa italiana com um passe preciso para Cesc Fábregas, que, por sua vez, tocou para Giorgio Chiellini, que da linha de fundo cruzou para Silva marcar de cabeça. Um gol fantástico resultante de um belo trabalho em equipe. Os italianos contra-atacaram com Antonio Cassano, fazendo a estrela do goleiro espanhol Iker Casillas reluzir por duas vezes. Mas a Espanha ampliou o placar quatro minutos depois quando Xavi deixou Alba cara a cara com o goleiro italiano Gianluigi Buffon para marcar o segundo gol. Aos 39 minutos do segundo tempo, Torres marcou o terceiro gol. Faltando dois minutos para o árbitro português finalizar a partida, Mata matou a partida com o quarto e último gol. Simplesmente sensacional. Parabéns Espanha! Espero que em 2013, na Copa das Confederações, e/ou na Copa do Mundo de 2014 a Espanha jogue em Salvador, já que na capital baiana está uma das maiores, senão a maior, colônia espanhola do Brasil (por Silvio Benevides).

Imagem: AFP

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Até quando a homofobia continuará matando no Brasil?

Para quem ainda duvida que é preciso enquadrar a homofobia como crime no Brasil e para quem acha que a aprovação do PLC 122/2006, que visa criminalizar a homofobia no país, é fruto de oportunismo ou uma mera besteira, sugiro que leia a notícia que foi divulgada pela imprensa sobre os irmãos gêmeos univitelinos que foram espancados (um deles não resistiu aos graves ferimentos) por suspeitosos homofóbicos na cidade de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, após saírem abraçados de uma festa junina e, por isso mesmo, foram confundidos com um casal homossexual por suspeitosos agressores (vide notícia abaixo). Trata-se de mais um caso de homofobia, semelhante àquele que pai e filho foram espancados porque trocavam carinhos após saírem de uma festa de boiadeiro e, também por isso, foram confundidos com um casal de homossexuais. Os questionamentos que ficam são os seguintes: até quando o Congresso Nacional compactuará (por omissão) com crimes de ódio motivados pela homofobia? Até quando assassinos continuarão livres para matar impunemente? Até quando imbecis permanecerão tendo direito de propagar o seu ódio contra homossexuais, travestis e transgêneros e utilizando em vão o santo nome do Senhor para justificarem-se? Até quando a sociedade brasileira continuará mergulhada nas trevas da intolerância? A homofobia não é apenas crime, é, também, uma grave doença que põe em risco toda a sociedade! E doenças dessa natureza devem ser tratadas com educação e leis rigorosas. Conforme escreveu o advogado e professor Enézio de Deus, “o Brasil precisa pagar a sua dívida histórica para com as chamadas ‘minorias sexuais’, em face do sentimento odioso que ainda movimenta tantas mentes preconceituosas: a homo(trans)fobia. Foi tal sentimento, desdobrado em ações brutais, que levou a óbito, esta semana, um dos irmãos gêmeos, no município de Camaçari-BA, pelo fato de os mesmos, ao externarem afeto um pelo outro (abraçarem-se em público), terem sido confundidos como um casal homossexual. Esta é a prova contundente de que, infelizmente, no ‘país do carnaval, das outras tantas festas e da liberação’, as discriminações com base na orientação homoafetiva ou na transgeneridade das pessoas atingem índices alarmantes, a clamarem intervenções sérias e mais educação pelo respeito efetivo à diversidade”. Pois é, está mais do que na hora do Brasil dar um basta a esta situação criminalizando a homofobia, assim como todo e qualquer discurso que incite o ódio contra a população LGBTT (por Silvio Benevides).

Irmãos são agredidos ao andarem abraçados em Camaçari; um morreu – Dois irmãos gêmeos foram agredidos ao andarem abraçados próximo a um evento junino em Camaçari, município na região metropolitana de Salvador, segundo informações da 18ª delegacia da cidade. Um dos rapazes, de apenas 22 anos, não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo. O crime ocorreu na madrugada de domingo (24/06).

A delegada responsável pela unidade policial, Maria Tereza Santos Silva, trabalha com a suspeita de homofobia. Ela conta que oito pessoas participaram das agressões aos rapazes, que foram socorridos pelo Samu para o Hospital Geral de Camaçari (HGC). “Assim que soubemos do ocorrido iniciamos as investigações. Cinco jovens estão custodiados aqui na delegacia, todos já foram ouvidos, mas eles não apresentam justificativa para as agressões, além de não possuírem passagem anterior pela polícia. Trabalho com a suspeita de homofobia”, indica a delegada.

O sobrevivente da agressão sofreu fraturas no rosto e já teve alta médica. De acordo com informações de familiares, ele seguiu para Pernambuco na tarde de segunda-feira (25/06), onde foi realizado o enterro do irmão morto. A família ainda não retornou para Camaçari.

Meu irmão era tudo pra mim” – Emocionado e ainda se recuperando dos ferimentos sofridos, o jovem José Leandro da Silva, de 22 anos, descreve nesta quarta-feira (27/06) o momento em que soube da morte do irmão gêmeo, três dias após uma série de agressões que os dois passaram em Camaçari, município na região metropolitana de Salvador. “Senti meu coração parar, senti que tinha perdido algo. Minha irmã disse que eu tinha que ser forte. Eu pensava que meu irmão estava vivo, foi uma dor muito grande, meu irmão era tudo para mim, companheiro, amigo... Nossa ligação era muito forte”, diz.

Os gêmeos foram agredidos ao andarem abraçados próximos a um evento junino na madrugada de domingo (24/06). A delegada Maria Tereza Santos Silva, que está à frente das investigações, diz que trabalha com a suspeita de homofobia. Leandro também acha que não há outra justificativa para as agressões, mas não compreende porque foram confundidos com um casal homossexual. “Acho que foi homofobia, achavam que a gente era gay, mas não entendo, éramos gêmeos idênticos, era evidente que éramos irmãos. Eu apenas coloquei a mão em cima do ombro dele! Sempre fomos do bem, honestos, nunca nos envolvemos com nada errado, drogas... Até mesmo na festa, não teve nenhuma confusão, não mexemos com a mulher de ninguém”, observa Leandro. Leonardo era casado e deixa a esposa grávida de quatro meses. Já Leandro está solteiro e tem uma filha de quatro meses.

Além de perder o irmão, Leandro teve o maxilar quebrado em três lugares, quase teve o olho esquerdo perfurado e ainda terá que ser submetido a uma cirurgia. “Meu rosto está bem ferido, roxo. Sinto muita dor na cabeça e nas costas. Não consigo entender, estávamos saindo da festa, indo para casa, quando fomos surpreendidos. A gente nem viu de onde eles vieram, já chegaram batendo, chamando a gente de mulherzinha. Tentamos correr, mas eles tinham punhal, faca, pedra...”, lembra Leandro. Segundo a delegada da 18ª Delegacia de Camaçari, oito homens participaram das agressões e cinco deles estão detidos na unidade policial (Fonte: G1 Bahia).

Imagem: Deco Cury e Rick Day

Tristes tempos: na Bahia aulão é sinônimo de educação

Muito se fala sobre educação e sua capacidade de emancipar indivíduos, de modificar trajetórias, de superar preconceitos e tabus, de transformar povos e nações. De fato, a educação tem essa força, mas somente se for tratada com a devida seriedade e isso inclui não percebê-la, tão somente, como um meio para se ganhar dinheiro fácil. Infelizmente, hoje, o que se vê na Bahia é exatamente o estupro da educação pública estadual. De um lado, um governo cínico que no discurso coloca a educação como prioridade, mas, na prática, se recusa a dialogar com os profissionais da área; de outro, profissionais que, aparentemente, são da área e, sem nenhum escrúpulo, se aproveitam da situação para faturar uma grana alta, grana esta oriunda dos cofres públicos. O que dizer, então? Triste Bahia, ó quão dessemelhante? Não. Afinal, nestas paragens a educação nunca foi prioridade e não é de hoje que ela virou alvo de profissionais inescrupulosos e sem nenhuma noção de ética, preocupados, apenas, em obter lucros exorbitantes, sejam estes oriundos do bolso dos estudantes ou dos cofres públicos. não consigo vislumbrar um futuro promissor para um estado e um país que não entende que educação é coisa séria, muito séria (por Silvio Benevides).


Confira este LINK.

Imagem: Sidney Falcão

segunda-feira, 25 de junho de 2012

25 de junho: a independência do Brasil em Cachoeira, Bahia

A Independência do Brasil ocorreu no dia 7 de setembro de 1822, segundo afirmam os historiadores mal informados e formados que continuam a acreditar e a alardear que a história desse país se resume tão somente aos fatos passados no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Sem querer desmerecer o brado retumbante do Imperador D. Pedro I, não se proclama uma independência na base do grito. Mesmo no caso brasileiro, cujo processo independência foi protagonizado pelo filho do rei de Portugal, houve derramamento de sangue. E isso ocorreu não apenas nas campinas de Pirajá, mas, também, nas terras do Recôncavo Baiano, mais precisamente na Cidade Heróica de Cachoeira. Conforme escreveu o professor cachoeirano Jadson Luiz dos Santos (Cachoeira: três séculos de história e tradição. Salvador: Contraste Editora Gráfica, 2001), a história de Cachoeira está diretamente ligada ao episódio da independência do Brasil, pois dela partiu o primeiro grito por liberdade. Segundo ele, “o descontentamento causado na população baiana face a posse do Brigadeiro Ignácio Luiz Madeira de Melo como Governador das Armas da Bahia foi, sem dúvida, uma das razões que apressou o movimento contra o domínio português”.

De acordo com o historiador canadense Hendrik Kraay: “A sangrenta Guerra da Independência na Bahia iniciou-se em fevereiro de 1822, quando Portugal nomeou o brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo (1775-1835) para o comando das tropas baianas no lugar de um oficial baiano. A substituição desencadeou a revolta da população, da Câmara e de muitos dos militares baianos, que foram derrotados durante três dias de lutas (de 19 a 21 de fevereiro) e obrigados a fugir. Aos poucos, a partir da articulação dos grandes senhores de engenho do Recôncavo, constituiu-se o Exército Pacificador, composto de soldados e milicianos que haviam deixado Salvador após a derrota, milicianos locais e batalhões provisórios organizados por baianos patriotas, que lutavam contra os portugueses, a favor da Independência” (In: Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 48, setembro de 2009).

Nesse período a soldadesca portuguesa, além de atacar residências particulares, invadiram o Convento da Lapa, em Salvador, matando a abadessa Joana Angélica de Jesus, que, temendo a profanação da castidade das demais freiras, colocou-se diante da porta de entrada do convento como último empecilho aos invasores. Segundo consta, a abadessa teria dito: “Para trás, bandidos. Respeitem a Casa de Deus. Recuai, só penetrareis nesta Casa passando por sobre o meu cadáver”. E assim foi feito. A destemida freira foi assassinada com golpes de baioneta. Já o capelão, Padre Daniel da Silva Lisboa, foi gravemente ferido.

Diz o professor Jadson Luiz (op.cit.): “sendo as garantias e a tranqüilidade perdidas, parte da população deixa a cidade de Salvador e segue para as vilas do Recôncavo, principalmente as vilas de Santo Amaro e de Cachoeira, sendo seguida por alguns oficiais e soldados brasileiros. Ao tomar conhecimento de que em Cachoeira havia um movimento revolucionário, mandou uma canhoneira de guerra subir o Rio Paraguaçu e ancorar em frente a vila a fim de vigiá-la”. Reunidos em Cachoeira, segue o professor, “conseguiram os patriotas cachoeiranos sensibilizar a simpatia de homens de armas que arregimentaram algumas forças, tendo à frente o comandante de Cavalaria José Garcia Pacheco de Moura Pimentel e Aragão, a mais alta patente”.

Devido às circunstâncias de acentuada hostilidade e constantes escaramuças, o Sr. Francisco Gê de Acaíba Montezuma, por meio de uma carta de sua autoria lida na casa do major José Joaquim d’Almeida e Arnizán, conclamou a Câmara a proclamar com urgência o príncipe D. Pedro como Regente do Brasil antes que os portugueses fizessem, o que acabou antecipando o movimento. Assim, segundo o professor Jadson Luiz (op.cit.), as tropas que se encontravam em Belém e no Iguape seguiram para Cachoeira e, deste modo, “ao amanhecer do dia 25 de junho de 1822, as tropas chegadas de Belém ficaram concentradas na Praça da Regeneração. Nessa ocasião, Antônio Pereira Rebouças falou ao povo, convidando a todos a assistir à sessão da Câmara, que aclamaria Dom Pedro. Ao mesmo tempo que chegava o Cel. Rodrigo Antônio Falcão Brandão, mais tarde Barão de Belém, comandando uma centena de bravos do Iguape e de outras localidades, dirigindo-se, também, para a Praça da Regeneração (atual Praça da Aclamação) vindos pelas ruas dos currais velhos...As tropas e o povo ocuparam a praça, a Rua da Matriz e adjacências”.

A reação das forças enviadas a Cachoeira por Madeira de Melo para vigiar a vila foi imediata. O Navio de Guerra Português atracado no Paraguaçu atacou a vila. De acordo com o professor Jadson Luiz (op.cit.) “os primeiros tiros da Canhoneira Portuguesa atingiram o sobrado de número 2 da Rua da Matriz e o Cais dos Arcos, saindo feridos três soldados, morrendo naquela ocasião o Tambor Soledade, perpetuado na tela de Antônio Parreiras...Os cachoeiranos contra atacaram e a luta começou”...e...“continuaram até a tarde do dia 28 de junho de 1822, quando o comandante português mandou um ofício às autoridades cachoeiranas no qual ameaçava arrasar a vila se continuasse a resistência. Reorganizada a defesa, o fogo intensificou-se e, à meia-noite desse mesmo dia, a conhoneira hasteava a bandeira branca...A vitória foi assinalada e festejada na mesma noite com todos as casas iluminadas e as ruas invadidas pelo povo dominado pelo entusiasmo. Após o 25 de junho de 1822 outras vilas do Recôncavo aderiram ao movimento, aclamando o Príncipe Regente”. Nesta data as lutas pela independência do Brasil tiveram início cujo ápice é o 2 de julho de 1823, quando ocorreu a Batalha do Pirajá em Salvador, e não o 7 de setembro, um mero gesto simbólico que representa, na melhor das hipóteses, tão somente a adesão de Dom Pedro ao movimento que exigia a independência administrativa, política e econômica do Brasil (por Silvio Benevides).

Imagem: O Primeiro passo para a Independência (1931), tela de Antônio Parreiras.

Onde está Wally?

Hoje, data em que a cidade de Cachoeira comemora o início das lutas pela independência do Brasil na Bahia, ocorreu algo inusitado. Todos se perguntavam: onde está Wally? Os festejos tiveram início com uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. No interior do templo, as autoridades e os outrora “homens bons”. Na porta, o povo. Entre o povo, professores da rede pública estadual em greve desde o dia 11 de abril de 2012, a gritar palavras de ordem. E onde estava Wally? Havia no ar uma expectativa para se saber onde se encontrava Wally. De repente um som de helicóptero. Seria Wally a chegar? Talvez, afinal era um helicóptero oficial. A aeronave pousou no estádio municipal. A comitiva despontou na rua. E Wally? Wally não veio. Quem veio foi o vice dele. Por quê? Seria excesso de compromisso? Como, se a transferência do governo para o município de Cachoeira, nesta data, foi definida em lei aprovada pela Assembléia Legislativa da Bahia e sancionada pelo próprio Wally em 2008, para homenagear os heróis cachoeiranos que, no dia 25 de junho de 1822 deram início às lutas contra os portugueses pela Independência do Brasil, culminando no 2 de Julho, em 1823? Seria medo de enfrentar os professores em greve, greve esta que não tem como ser justificada, afinal, já dura mais de 70 dias? Ninguém entendeu o motivo de tal ausência e como se isso não bastasse, os professores grevistas em protesto foram encurralados num pequeno espaço que lembrou a muitos presentes um curral. Isso mesmo, os professores foram encurralados e Wally nem aí pra isso (por Silvio Benevides).

Imagem: Silvio Benevides

quarta-feira, 23 de maio de 2012

CARTA ABERTA À COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA DA UFRB E À SOCIEDADE

Dirigimo-nos a população do Recôncavo, aos servidores técnico-administrativos e aos estudantes da UFRB, no intuito de esclarecer os motivos e a importância da Greve dos/as docentes da UFRB que se iniciou no dia 21 de maio de 2012.

Desde 2010, os/as docentes das Instituições Federais de Ensino (IFES) vêm negociando com o Governo Federal em torno da reestruturação da carreira e das distorções salariais da categoria, é importante lembrar que nosso último reajuste salarial foi acordado em 2007. Neste período fomos submetidos à inflação, e o país passou por um grande crescimento econômico, tornando-se a sexta economia mundial, contraditoriamente não obtivemos nenhuma conquista para a categoria. Em 2011, fizemos um acordo com o governo que devia ser cumprido em março de 2012, o qual não foi cumprido, negociamos uma nova data limite, 30 de maio de 2012. Até agora as negociações estão longe de serem encerradas, já que a morosidade do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) vem protelando as resoluções das pautas.

A sanção da Medida Provisória 568/2012, pela Presidenta Dilma Rousseff, no último dia 14 de maio, que concede um aumento de 4% e a incorporação da Gratificação de Estímulo ao Magistério Superior (GEMAS) ao vencimento básico, cumpre apenas parte do acordo fechado em 2011 com a categoria docente. Entendemos que essa medida só foi tomada porque nas últimas semanas os/as docentes das IFES pressionaram o governo intensificando as mobilizações e construindo indicativos de Greve. Vale ressaltar que o cumprimento do acordo de 2011 era uma pré-condição para as negociações de 2012.

Por conta deste contexto, do qual avaliamos que até o dia 30 de maio as negociações não serão concluídas, já que teremos apenas mais uma reunião com o MPOG, e por reconhecer a importância da urgência do atendimento de nossas pautas, os/as docentes da UFRB, em assembleia geral convocada pela Associação de Professores Universitários do Recôncavo (APUR), no dia 17 de maio deflagraram greve por tempo indeterminado a partir de 21 de maio de 2012, fortalecendo a greve nacional que conta com a participação (até agora) de 42 das 59 Universidades Federais brasileiras, tendo como pauta central as seguintes reivindicações: 1) Reestruturar a carreira docente de acordo com as indicações dos docentes; 2) Equiparação salarial com a carreira do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; 3) Criação de um índice de reajuste anual; 4) Abertura de novos concursos.

Além desses pontos, fazem parte da pauta unificada dos Servidores Públicos Federais que já se encontram mobilizados e com indicativo de greve geral para o dia 15 de junho: a) Reajuste emergencial de 22,08%; b) Retirada das alterações nos auxílios de insalubridade e periculosidade como previstas na MP 568/2012; c) Definição de data-base para 1º de maio; d) Política salarial permanente com reposição inflacionária; e) Paridade e integralidade entre ativos, aposentados e pensionistas; f) defesa de 10% do PIB para a educação.

Desta forma, pedimos a compreensão e apoio de todos/as, do mesmo modo que convidamos todos/as para participarem das diversas atividades de greve que acontecerão na região, sugerimos também o acompanhamento das informações relacionadas ao movimento grevista dos professores das instituições federais com o objetivo de fortalecer esse movimento e sensibilizar, o mais rápido possível, o governo federal para atendimento às reivindicações dos docentes das Universidades Federais, inclusive UFRB, exigindo outra política, outras prioridades, que visem à valorização dos servidores e dos serviços públicos. Reforçamos que uma Educação de Qualidade passa pela valorização dos profissionais da Educação! (Fonte: APUR – Associação dos Professores Universitários do Recôncavo)

Imagem: APUR

segunda-feira, 7 de maio de 2012

UFRB promove I Simpósio em Ciência Política: “A Câmara Municipal e o papel dos vereadores”

O exercício da política legislativa atinge amplos setores da vida social, desde as atividades mais simples e corriqueiras, como caminhar pelas ruas de uma cidade, por exemplo, até decisões mais complexas, como legalizar ou não a pena de morte. A atividade política, em geral, e a legislativa, em particular, é essencial, porque ela contribui na organização e orientação da vida em sociedade. É por meio da política profissional que os direitos por nós reivindicados e pelos quais lutamos são transformados em leis. Esta é uma das principais funções dos membros do Poder Legislativo, isto é, dos senadores e deputados federais, no âmbito nacional; dos deputados estaduais, no âmbito dos Estados; e dos vereadores na esfera municipal. Nesse ano de eleições municipais, o I Simpósio em Ciência Política, intitulado “A Câmara Municipal e o papel dos vereadores”, discutirá com a comunidade a importância do poder legislativo municipal na vida das cidades e no cotidiano dos seus cidadãos. O Simpósio acontecerá nos dias 31/05/2012 e 01/06/2012 no auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) em Cachoeira.

A mesa de abertura (31/05 – 19h) terá como tema central O poder legislativo e o papel do vereador e contará com as presenças dos presidentes das Câmaras Municipais de Cachoeira, São Félix e Muritiba. As mesas do dia 01/06 terão como temas A ética no poder legislativo (08h), Campanha Eleitoral: legislação e marketing (10h), Atuação Parlamentar (14h) e A expectativa da sociedade civil (16h).

O Simpósio “A Câmara Municipal e o papel dos vereadores” é uma atividade idealizada e promovida pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Política e Sociedade (GEPPS), do curso de Ciências Sociais da UFRB. Além de desenvolver estudos nas suas linhas de pesquisa, o GEPPS é um espaço de discussão acadêmica extraclasse onde os estudantes podem exercitar e desenvolver sua capacidade de argumentar, criticar e elaborar seus próprios projetos de pesquisa. Com esse evento, além de fomentar o debate em torno das eleições municipais de 03 de outubro, o GEPPS pretende, também, interagir com as comunidades locais, pois compreende que o conhecimento e as atividades acadêmicas não devem se restringir aos muros das universidades.

Informações Gerais:

Simpósio: A Câmara Municipal e o papel dos vereadores
Data: 31 de maio e 01 de junho de 2012
Horário: 19h (31/05) e 08h – 19h (01/06)
Local: Auditório CAHL (Centro de Artes, Humanidades e Letras – Campus Cachoeira)
Maiores Informações: (75) 9146-4494 ou geppsufrb@ymail.com
Inscrições pelo site www.ufrb.edu.br/gepps
Entrada gratuita.

Imagem: GEPPS

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Por que o Cachoeira gargalhou?

Foi divulgado no último sábado, 28/04, pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, que “o empresário do jogo Carlinhos Cachoeira afirmou não apenas à mulher, Andressa Mendonça, mas, também, a advogados e a amigos que o visitam que ‘está louco’ para falar”. De acordo com a jornalista, “um de seus interlocutores diz ter entendido que Cachoeira quer, antes de mais nada, passar ‘recados’ a seus críticos. Mas sem, a princípio, revelações bombásticas e comprometedoras”. E continua: “o mesmo interlocutor afirma que Cachoeira caiu na gargalhada (sic) ao ver a lista de parlamentares que fazem parte da CPI que o investigará. Afirmou estar curioso para saber as perguntas que farão alguns integrantes, que conhece, no dia em que ele for depor na comissão”. A gargalhada do Cachoeira é, no mínimo, algo intrigante. Qual a razão da sua suposta gargalhada? Por que ele estaria curioso para saber as perguntas que farão alguns parlamentares integrantes da CPI, supostamente conhecidos seus, no dia em que ele for intimado a depor? Nós, cidadãos brasileiros, estaremos fadados a ver pela televisão mais uma ópera bufa de picadeiro? Estarão a preparar mais uma enorme e indigesta pizza para nos empurrar goela abaixo? Todas essas são questões intrigantes que, nos próximos dias, terão respostas. Se essas respostas serão as que a sociedade brasileira precisa e quer ouvir isso é outra história tão intrigante quanto a suposta gargalhada do Carlinhos Cachoeira (por Silvio Benevides).

Para quem ainda não sabe os integrantes da CPI do Cachoeira são os deputados Cândido Vacarezza (PT-SP), Odair Cunha (PT-MG) – indicado para relatoria da CPI – Paulo Teixeira (PTSP) e seus suplentes Luiz Sérgio (PT-RJ), Sibá Machado (PT-AC) e Dr.Rosinha (PT-PR). Também integram a lista os deputados Luiz Pitman (PMDB-DF), Iris de Araújo (PMDB-GO) e seus suplentes Edio Lopes (PMDB-PR) e João Magalhães (PMDB-MG). Há, ainda, os deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP), Fernando Francischini (PSDB-PR), Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Rubens Bueno (PPS-PR) e os suplentes Domingos Sávio (PSDB-MG), Rogério Marinho (PSDB-RN), Mendonça Prado (DEM-SE), Sarney Filho (PV-MA); Maurício Lessa (PR-AL) e o suplente Ronaldo Fonseca (PR-DF); Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) e o suplente Osmar Júnior (PCdoB-PI); Miro Teixeira (PDT-RJ) e o suplente Vieira da Cunha (PDT-RS); Silvio Costa (PTB-PE) e o suplente Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP); Paulo Foleto (PSB-ES) e o suplente Glauber Braga (PSB-RJ); Filipe Pereira (PSC-RJ), Gladson Cameli (PP-AM) e os suplentes Hugo Leal (PSC-RJ) e Iracema Portella (PP-PI).

No Senado a lista dos integrantes da CPI do Cachoeira tem a seguinte composição: Vital do Rego (PMDB-PB) – indicado para presidente da CPI – Sérgio Souza (PMDB-PR), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Ciro Nogueira (PP-PI), Paulo Davim (PV-RN) e os suplentes Benedito de Lira (PP-AL). Integram, também, a lista os senadores José Pimentel (PT-CE), Humberto Costa (PT-PE), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Pedro Taques (PDT-MT), Lídice da Mata (PSB-BA) e os suplentes Welington Dias (PT-PI), Walter Pinheiro (PT-BA), Delcídio Amaral (PT-MS), Jorge Viana (PT-AC) e Acir Gurgacz (PDT-RO); Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Álvaro Dias (PSDB-PR), Jayme Campos (DEM-MT) e os suplentes Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP); Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Vicentinho Alves (PR-TO); Kátia Abreu (PSD-TO) e o suplente Sérgio Petecão (PMN-AC). Ainda faltam definir o nome de, no mínimo quatro suplentes. Para quem não gosta de pizza é bom guardar bem estes nomes, só para o caso de precisarmos dar o troco na hora de votar.

Imagem: Amarildo.

domingo, 29 de abril de 2012

POEMA FALADO: Natureza íntima

Nesse mês de abril o Salvador na sola do pé homenageia o poeta AUGUSTO DOS ANJOS, cuja obra é uma das minhas preferidas. O poema desse mês é o NATUREZA ÍNTIMA, essa indelével e indecifrável criatura que habita dentro e fora de todas as criaturas que este mundo habitam. Diz o Poeta por meio da bela voz do ator Othon Bastos: “Cansada de observar-se na corrente / Que os acontecimentos refletia, / Reconcentrando-se em si mesma, um dia, / A Natureza olhou-se interiormente! / Baldada introspecção! Noumenalmente / O que Ela, em realidade, ainda sentia / Era a mesma imortal monotonia / De sua face externa indiferente! / E a Natureza disse com desgosto: / ‘Terei somente, porventura, rosto?! / Serei apenas mera crusta espessa?! / Pois é possível que Eu, causa do Mundo, / Quando mais em mim mesma me aprofundo Menos interiormente me conheça?!’”. Boa áudio-leitura! (por Silvio Benevides)





Imagem: Trilha Loquinhas em Alto Paraíso (GO), por Silvio Benevides.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sarkozy em direção à porta de saída

Cinco anos depois da sua brilhante vitória no segundo turno da eleição presidencial francesa (53% contra 47% da sua oponente socialista Ségolène Royal), Nicolas Sarkozy deve, sem surpresa, deixar o poder no dia 6 de maio. Uma saída vergonhosa para este político esperto que queria mudar completamente a França. Num sentido, conseguiu o objetivo: mudou coisas sim, mas muitas vezes foi para pior.

Todos os analistas sérios dizem: o balanço de Sarkozy é catastrófico. Em 2007, foi eleito para reduzir o desemprego, diminuir a dívida pública e eliminar a insegurança. Cinco anos mais tarde, o número de desempregados aumentou em um milhão (a taxa nunca foi tão alta nestes últimos 15 anos: um a cada seis franceses está inscrito no Pôle Emploi, a rede das pessoas em busca de emprego), a dívida é 500 bilhões de euros mais alta e a violência continuou a subir.

Para justificar estes fracassos, o presidente conservador explica que a França foi vítima da "pior crise econômica desde 1929". Ele provavelmente tem razão. Mas, apesar deste contexto macambúzio, os vizinhos belgas e alemães possuem a taxa de desemprego mais baixa dos últimos 20 anos. Os franceses não entendem estas diferenças enormes e são 70% (um recorde) a pensar que o balanço de Sarkozy é "negativo" ou "muito negativo".

Porém, se é tão odiado hoje (64% dos franceses dizem "não gostar dele", mais um triste recorde para um presidente em exercício), é também por causa do estilo dele. Aqui, Sarkozy é chamado de "bling-bling", uma expressão familiar para criticar seu comportamento ostensivamente endinheirado. Para comemorar a vitória em 2007, ele convidou uns 40 amigos – quase todos milionários – para um jantar no Fouquet's, um restaurante chique de Paris, enquanto milhares de pessoas o aguardavam no lado de fora. Isso foi considerado pelos apoiadores como uma privatização da vitória. No dia seguinte, ele pegou emprestado o iate de um amigo para passar três dias de folga no Mar Mediterrâneo, embora prometesse que passaria três dias num… covento para meditar.
Aliás, duas das suas primeiras reformas foi diminuir os impostos dos mais afortunados e aumentar seu próprio salário em 172%. Numa só palavra, Sarkozy foi claramente "o presidente dos ricos", expressão muito utilizada nas mídias para qualificá-lo. A grande maioria dos franceses pobres ou da classe média querem agora que ele pague a adição.

Sarkozy foi também um presidente que dividiu o povo. Normalmente, a tarefa de um chefe de Estado é reunir todos os cidadãos, apesar das diferenças. Ele fez o contrário: muitas vezes, apontou categorias da população para criticá-las. Assim, ele ou seus ministros disseram mais ou menos expressivamente que os desempregados eram responsáveis pelo caso deles, que as pessoas doentes eram mandrionas, que os muçulmanos eram os únicos a criar problemas, que os imigrantes e os franceses de origem árabe eram numerosos demais, que os professores e os juízes trabalhavam mal, que os sindicatos não eram necessários… Críticas desajeitadas, ainda mais que apontavam cidadãos necessitados ou já marginalizados.

Não ajudam também as amizades dele com ditadores africanos ou do Oriente Médio (Kadhafi foi recebido duas vezes no Palácio do Elysée antes de ser enfrentado na guerra da Líbia, Ben Ali na Tunisia, Moubarak no Egito, Bongo no Gabão, Sassous-Nguesso no Congo, Abdallah na Arábia Saudita, Nazarbaiev no Cazaquistão, Al-Assad na Síria…) e os casos judiciais em que seu nome aparece (com destaque para o financiamento ilegal da sua campanha em 2007).

Mas o principal problema de Sarkozy na campanha se chama François Hollande, o candidato do Partido Socialista e antigo companheiro de Ségolène Royal. O deputado da Corrèze tem um programa clássico de esquerda muito apreciado: aumento dos impostos dos mais ricos, criação de um banco público de investimentos, geração de 60 mil empregos na educação, diminuição da energia nuclear e promoção das energias renováveis. Apresenta-se como uma "pessoa simples e um candidato normal" em oposição ao Sarkozy que queria tornar-se "superpresidente" e gerir tudo ao mesmo tempo. Hollande é também considerado o político com senso de humor mais desenvolvido no país. Em tempo de crise e austeridade, isso conta.

No primeiro turno, ocorrido no último domingo (22/04), ele e Sarkozy obtiveram mais ou menos o mesmo resultado, 28,56% e 27,07% respectivamente, mas no segundo a diferença é clara (entre 42 e 47% para Sarkozy, entre 53 e 58% para Hollande). Mesmo o antigo presidente Jacques Chirac, de direita, disse que ia votar no socialista. Um cúmulo! Sejamos diretos: em alguns dias, a França deve mudar de presidente. No fundo, Sarkozy sabe disso e afirmou numa entrevista que, caso perca, encerrará a carreira política. Para muitos aqui, sua carreira durou cinco anos a mais (por Samuel Duhamel diretamente de Lille, França).

Imagem: Eric Feferberg/France Presse