quinta-feira, 2 de julho de 2009

O quadro completo da independência

O artigo abaixo, de autoria do historiador Cid Teixeira, discorre sobre o Sete de Setembro que, segundo a historiografia oficial, é o marco da Independência do Brasil. Entretanto, o historiador baiano nos lembra que para se compreender o processo de desligamento do Brasil de Portugal é preciso analisar o quadro completo da independência “que somente se torna lógico se visto em seu conjunto”. E esse conjunto somente se completa com o Dois de Julho, interpretado por muitos como a independência da Bahia, mas, na verdade, a independência do Brasil na Bahia, pois foi aqui nas campinas baianas que a independência se consolidou, ou seja, se tornou um fato concreto que possibilitou surgimento, e posterior fortalecimento, do Brasil como um Estado autônomo. Na próxima postagem voltaremos ao tema Dois de Julho. Boa leitura! (por Sílvio Benevides)
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Sete de Setembro de 1822, margem do Rio Ipiranga, São Paulo, Brasil. As colônias americanas da grande aventura ultramarina da Europa dos séculos XV e XVI obtinham, a duras penas, sua libertação. Sempre, à custa de lideranças locais, sempre sofrendo todas as dores no nascimento enquanto estados nacionais, sempre lutando a valer sangue, a valer morte, a valer sofrimento. Nos Estados Unidos da América do Norte, como nos países de herança espanhola, lideranças locais, algumas inclusive, imaturas e desajeitadas, tomaram o governo dos seus povos a partir das ideologias que defenderam de armas nas mãos e esperanças nas almas.

No Brasil, tudo por quanto se sonhou, sofreu, e conspirou em termos de independência política, foi de conteúdo popular, a partir de segmentos da população menos bafejados da fortuna e do relevo social e, sempre, de conteúdo doutrinário republicano. Foi assim com Joaquim José da Silva Xavier, foi assim com os homens da Conspiração Baiana de 1798/1799 simbolizados nos quatro mortos na forca e esquartejados diante do povo.

E a independência nos chega outorgada por um príncipe que era a continuação dinástica da mesma monarquia absoluta e opressora que condenara à morte aqueles líderes, condenando, por implícito, não somente todos os outros que com eles comungavam, como tentando condenar à morte as próprias idéias que os inspiravam. A independência nos chega com a permanência no poder dos mesmos segmentos e das mesmas pessoas que o detinham antes. O próprio imperador que nos deu a ruptura colonial em belo gesto do seu “pinache” de jovem de vinte e dois anos, o próprio príncipe D.Pedro não renunciou aos seus direitos dinásticos na pátria colonizadora. A idéia da reunião do aquém e do além mar em um império transmarino do futuro não está, em nenhum momento, ausente das especulações nem dele próprio nem do seu pai e Rei de Portugal, D.João VI. Tínhamos, no Brasil, lideranças populares àquele tempo?

Certamente. Será esta a resposta sem vacilar. Afinal, somente vinte e dois anos separavam o Grito do Ipiranga do grito sufocado de Manoel Faustino dos Santos Lira, de Lucas Dantas do Amorim Torres, de João de Deus do Nascimento e de Luiz Gonzaga das Virgens [mártires da Revoltas dos Búzios ou Conjuração Baiana de 1798], quando o carrasco lhes passou a corda ao pescoço, ali no Largo da Piedade, nesta cidade do Salvador. É esta uma importante parcela de uma das mais intricadas e fascinantes equações do processo histórico brasileiro: independência que, por sua própria natureza, é a mais alta conquista de um povo, trazendo em si mesma o travo da frustração ideológica desse mesmo povo. O Brasil não sofreu amarguras imediatas para obter o seu desligamento político de Portugal. Foram arranjos políticos, cartas trocadas, arrufos e pazes familiares, poderosos resguardando privilégios. Assim foi, menos na Bahia. Por isso mesmo, ao lado das justas comemorações do dia da Pátria, aqui, especificamente aqui cabem algumas meditações sobre matéria que complete o nosso orgulho cívico. Orgulho cívico, repita-se. Para que assim ganhe ele a dimensão que merece. Seja feita uma simples conta: no dia Sete de Setembro de 1822 um príncipe português proclamava, em São Paulo, a Independência do Brasil. Das margens plácidas do Ipiranga, o príncipe voltou ao Rio de Janeiro e começou a implantar o Estado que fundara. Dois meses depois, neste mesmo Brasil, aqui na Bahia, ali em Pirajá, ainda se brigava, ainda se matava, ainda se morria por essa mesma Independência que tinha sido proclamada. E Madeira de Melo, resistindo à ruptura dos vínculos coloniais, não procedia por sua conta. Antes, em estrita obediência a ordens que vinham do mesmo Portugal de ralos ou nenhum protesto à independência proclamada.

Aqui o povo brigou, aqui o povo ganhou. Aqui não foram tranças diplomáticas nem açodamentos. Aqui foi luta, sangue, disputa, consciência libertária. E, de novembro, quando ocorreu a batalha decisiva, aquela mesma que “a Glória desgrenhada, acalentava o cadáver sangrento dos heróis”, até o Dois de Julho, escaramuças, encontros diversos, tentativas de reverter a situação pontuam o tempo até a rendição final.

Se, como de regra sucede na relação entre os homens, composições foram feitas pela regência do poder resultante da luta, ainda assim o povo nunca esteve ausente. Na verdade, bem estudadas as comemorações populares (nas quais até hoje o poder público participa de forma adjetiva) se constituem, a cada ano, em uma renovação, em uma espécie leiga de crisma daquele momento de consciência libertária.

Justo por estes argumentos que muito poderão ser desdobrados é que são de toda pertinência estas lembranças para a complementação de um quadro que somente se torna lógico se visto em seu conjunto
(por Cid Teixeira).
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Nota: Artigo originalmente publicado no semanário Tribuna da Bahia em 06/06/1997.
Imagem: Sílvio Benevides

Dois de Julho: uma cronologia

1808 – Chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil. O Brasil deixa de ser colônia e passa a ser Reino Unido a Portugal e Algarve, cuja sede da monarquia era o Rio de Janeiro.

1815 – Batalha de Waterloo. Derrocada do poderio napoleônico. A batalha decisiva entre o imperador francês Napoleão Bonaparte e as forças aliadas, sob o comando do Duque de Wellington, foi travada em 18 de junho de 1815. A luta aconteceu perto de Bruxelas, na Bélgica, na vila de Waterloo. Essa batalha provocou mudanças drásticas nas fronteiras políticas e no equilíbrio de poder na Europa. Derrotado, Napoleão é exilado na ilha de Santa Helena, onde morre em 1821.

1820 – Revolução Constitucionalista do Porto. O poder do Reino Unido deveria retornar para Lisboa e o Brasil voltar à condição de colônia. Segundo o historiador BRAZ DO AMARAL, “o governo absolutista do Rio não queria que o Reino Luso da América tivesse igualdade de condições com o Reino Luso da Europa e pretendia, aqui, restringir as liberdades, as franquias e os benefícios prometidos ao povo de lá”.

A administração joanina no Brasil complicou a situação econômica de Portugal, já cronicamente deteriorada por sua depêndencia em relação à Grã-Bretanha. A abertura dos portos (1808) retirara dos portugueses sua última fonte de renda segura. Por outro lado, a transferência da sede do governo para o Rio de Janeiro, com as conseqüentes medidas modernizadoras de D. João no Brasil , provocou a chamada Inversão Brasileira, na qual a antiga metropóle passava para segundo plano nos campos político, econômico e administrativo. Finalmente, os portugueses sentiam-se humilhados porque, após a expulsão dos invasores franceses, o país passara a ser administrado pelo general inglês Beresford. Esses fatores provocaram a Revolução Liberal do Porto (24 de agosto de 1820), cujos articuladores pretendiam, através da eliminação do absolutismo, forçar o retorno de governo português para Lisboa e anular a Inversão Brasileira, promovendo a recolonização do Brasil. Vitorioso o movimento, em dezembro de 1820, foram eleitos os deputados às Cortes de Lisboa (Assembléia Constituinte), que passaram a atuar como órgão governativo do Reino-Unido; provisoriamente, adotou-se a Constituição que a Espanha havia elaborado recentemente. No Brasil, a aristocracia rural (acreditando nos propósitos liberais das Cortes) uniu-se aos comerciantes de origem portuguesa para mobilizar o povo e exigir de D. João VI e do príncipe-herdeiro D. Pedro o juramento prévio da Constituição e o acatamento às decisões das Cortes. As províncias passaram a ser administrativas por Juntas Governamentais Provisórias, geralmente com predomínio de elementos brasileiros.

1821 – Revolta do Forte São Pedro (10/02/1821). Toma posse como Comandante das Armas da Bahia, o Oficial do Regimento da Artilharia do Forte de São Pedro, Coronel MANOEL PEDRO DE FREITAS GUIMARÃES. Ele fortalece as tropas nacionais (brasileiras) em salvador, atiçando a desconfiança dos comerciantes portugueses, que passam a exigir sua substituição.

1821 – Retorno de D. João VI a Portugal. Em 25 de abril de 1821, cedendo à pressão da Assembléia Constituinte portuguesa, D. João regressou a Lisboa, levando consigo o Tesouro português (1º assalto sofrido pelo Banco do Brasil). D. Pedro permaneceu no Brasil como regente do Reino do Brasil, o que constituía um empecilho à recolonização.

1822 – Dia do Fico (09-01-1822)

1822 – Expulsão da Divisão Auxiliadora no Rio de Janeiro (14-02-1822)

1822 – O General Madeira de Melo chega a Salvador (11-02-1822) no navio DANÚBIO para substituir o Cel. Manoel Pedro.

1822 – Na tentativa de impedir sua destituição do cargo, tropas fiéis a Manoel Pedro enfrentam no dia 19-02-1822 as tropas de Madeira de Melo. Estas vencem o embate e tomam em definitivo a cidade. Dentre os excessos cometidos pelas tropas de Madeira de Melo está a morte da sóror Joana Angélica. A abadessa sóror Joana Angélica, de 60 anos de idade, se transformou num símbolo da resistência dos brasileiros na luta contra o inimigo português. Ela foi morta pelos oficiais de Madeira de Melo no momento em que resistia à invasão do Convento da Lapa, hoje um dos prédios da Universidade Católica de Salvador. Um grupo de soldados portugueses investiu contra o convento alegando que havia soldados brasileiros escondidos no prédio. Golpeado, o portão do convento se quebrou. “Para trás, bárbaros! Respeitai a casa de Deus!”, disse Joana Angélica. “Ninguém entrará no convento, a menos que passe por cima de meu cadáver”, disse. Nesse instante, uma baioneta atravessou o peito da religiosa e, Joana Angélica caiu morta.

A partir da posse da cidade, começou o êxodo para o interior. Primeiro de soldados, depois das famílias. Salvador era o centro político, o empório, a urbe dos ricos comerciantes lusitanos. No interior, no Recôncavo, estava a riqueza, a comida, o braço trabalhador. A Bahia era uma terra de cerca de 400 mil almas. Em Salvador viviam em torno de 100 mil (Sérgio Roberto Morgado. In: Revista da Bahia, n.36, dez.2002).

1822 – Procissão de São José. Durante a procissão de São José em 19-03-1822, portugueses que dela participavam são apedrejados. A reação de Madeira de Melo é violenta.

1822 – Tomando ciência da repressão do Gal. Madeira de Melo contra os citadinos de Salvador por ocasião da procissão de São José, D. Pedro I, em 17-06-1822, o intima a deixar o Brasil, conclamando o povo baiano a reagir à sua tirania. Esta proclamação encontra eco no Recôncavo Baiano.

1822 – A cidade de Santo Amaro da Purificação, aos 24-06-1822, organiza milícias para libertar a Bahia do jugo português. As vilas de CACHOEIRA e SÃO FELIX aderem ao movimento. Na Igreja Matriz em Cachoeira é celebrada uma missa de ação de graça à aclamação (ATO DE ADESÃO a Santo Amaro, lavrado pela Câmara de Cachoeira). Após a missa, a cidade é bombardeada por uma escuna portuguesa aportada no rio Paraguaçu.

1822 – A população de Cachoeira e São Félix ataca, em 28-06-1822, a escuna portuguesa com pequenas canoas. Aprisiona a guarnição e o seu comandante. Desta maneira têm início as lutas pela independência – o DOIS DE JULHO.

De uma nota enviada pela Junta de Cachoeira ao Príncipe Regente, gostaria de destacar dois trechos. No primeiro, afirma que “o leal e brioso povo do distrito de Cachoeira acaba de proclamar e reconhecer Vossa Alteza Real como Regente Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil”. Nota-se aí, ainda, o respeito a D.João VI, e, pela primeira vez, a outorga do título de Defensor Perpétuo do Brasil. O outro trecho proclama que”Altamente penetrado da mais viva gratidão para com Vossa Alteza Real, este brioso povo almejava por repetir o grito regenerador dos mais felizes fluminenses, paulistas, mineiros, continentistas e pernambucanos; almejava para apagar a feia nódoa do cisma que a seu bel prazer, sete homens levantaram entre esta e as mais províncias brasileiras”. Essa afirmação caracterizava, antes de tudo, o sentimento de união, a noção de brasilidade que, mesmo no interior, já predominava na nossa gente. Não havia hostilidade ao luso, do qual muitos descendiam, mas não se abria mão da Nação, que trezentos anos de luta e labor já tinham forjado no coração dos brasileiros. Essa crença é que os animou e sustentou todas as vicissitudes, que a partir daí iriam passar, para preservar a integridade e o direito de se constituírem em uma sociedade livre e soberana (Sérgio Roberto Morgado. In: Revista da Bahia, n.36, dez.2002).

1822 – É proclamada a Independência do Brasil em 07-09-1822 por D.Pedro I.

1823 – As tropas portuguesas são expulsas da Bahia em 02-07-1823, após a derrota do Gal. Madeira de Melo na Batalha de Pirajá.
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Imagem: Sílvio Benevides

Ode ao Dous de Julho - por Castro Alves

Era no dous de julho. A pugna imensa
Travara-se nos cerros da Bahia ...
O anjo da morte pálido cosia
Uma vasta mortalha em Pirajá.
Neste lençol tão largo, tão extenso,
Como um pedaço roto do infinito ...
O mundo perguntava erguendo um grito:
Qual dos gigantes morto rolará?! ...

Debruçados do céu ... a noite e os astros
Seguiam da peleja o incerto fado ...
Era a tacha - o fusil avermelhado!
Era o Circo de Roma - o vasto chão!
Por palmas - o troar da artilharia!
Por feras - os canhões negros rugiam!
Por atletas - dous povos se batiam!
Enorme anfiteatro - era a amplidão!

Não! Não eram dous povos, que abalavam
N'aquele instante o solo ensanguentado ...
Era o porvir - em frente do passado,
A liberdade - em frente à escravidão.
Era a luta das águias - e do abutre,
A revolta do pulso - contra os ferros,
O pugilato da razão - com os erros,
O duelo da treva - e do clarão! ...

No entanto a luta recrescia indômita ...
As bandeiras - como águias erriçadas
Se abismavam com as asas desdobradas
Na selva escura da fumaça atroz ...
Tonto de espanto, cego de metralha
O arcanjo do triunfo vacilava ...
E a glória desgrenhada acalentava
O cadáver sangrento dos heróis! ...

Mas quando a branca estrela matutina
Surgiu do espaço ... e as brisas forasteiras
No verde leque das gentis palmeiras
Foram cantar os hinos do arrebol,
Lá do campo deserto da batalha
Uma voz se elevou clara e divina:
Eras tu - liberdade peregrina!
Esposa do porvir - noiva do sol! ...

Eras tu que com os dedos ensopados
No sangue dos avós mortos na guerra,
Livre sangravas de Colombo a terra
Sangravas livre a nova geração!
Tu que erguias, subida na pirâmide,
Formada pelos mortos do Cabrito,
Um pedaço de gládio - no infinito ...
Um trapo de bandeira - n'amplidão!
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Imagem: Castro Alves em 1865 (foto retirada do sítio do Instituto Moreira Sales)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A palavra do Dalai Lama

Queridos amigos do mundo inteiro. Os eventos do nosso tempo pedem que cada pessoa interrompa seus afazeres, quaisquer que sejam, e medite profundamente sobre as maiores questões da vida. Procuramos, novamente, não só o significado da vida, mas também o propósito das experiências coletivas e individuais que temos criado. Honestamente, procuramos caminhos pelos quais possamos recriar os seres humanos que somos e pelos quais jamais voltemos a tratar um ao outro da forma como temos feito. Chegou a hora de demonstrar, ao nível mais elevado, o nosso pensamento mais extraordinário sobre QUEM REALMENTE SOMOS. Há duas respostas possíveis ao que tem acontecido atualmente. A primeira vem do AMOR, a segunda vem do MEDO. Se partirmos do medo, poderemos agir pelo pânico e fazer coisas, como indivíduos e como nação, que poderão produzir ainda mais estragos. Se partirmos do amor, encontraremos refúgio e força, quando o oferecermos aos outros. Este é o momento do seu ministério. Este é o tempo de ensinar. O que você ensinar agora, em cada palavra e ação, permanecerá indelével nos corações e nas mentes daqueles cujas vidas você toca, tanto agora como no futuro. Os rumos do amanhã são decididos hoje. Nesta hora, neste momento, busquemos não o principal culpado, mas a principal causa. A menos que aproveitemos este momento para olhar para a causa de nossa experiência, jamais sairemos da situação que ela cria. Em vez disso, iremos viver sempre com medo da vingança daqueles que, no seio da família humana, sentem-se aflitos e, por isso, agem por vingança!!! Para nós, pensadores, as razões são claras: Não aprendemos ainda a mais básica das lições humanas. Não nos recordamos da verdade humana mais básica. Não compreendemos a mais básica Sabedoria espiritual. Em suma, não temos ouvido a Deus, e, porque não O ouvimos, vemo-nos fazendo coisas impiedosas. A mensagem que ouvimos de todas as Fontes da Verdade são claras: SOMOS TODOS UM SÓ. Esta é a mensagem que a grande maioria da humanidade ignorou. O esquecimento desta Verdade é a única causa do ódio e da guerra, e, para nos relembrarmos disto, é simples: Ame, neste momento e no próximo. Se pudéssemos amar até aqueles que nos atacam e procurássemos entender as razões pelas quais se deixam levar a praticar tal gesto, qual seria então a nossa resposta? E, ainda, se reagíssemos à negatividade com negatividade, à raiva com raiva, ao ataque com ataque, qual seria o resultado? Estas são as questões para a raça humana hoje. São questões para as quais temos fracassado em dar respostas por milênios. Nossa incapacidade poderia eliminar a necessidade de dar respostas a essas questões indefinidamente. Se quisermos a beleza do mundo que ajudamos a criar para a experiência de nossos filhos e dos filhos de nossos filhos, temos de nos tornar ativistas espirituais aqui e agora, e fazer com que isto seja a causa dos fatos. Temos de ser a causa nessa questão. Portanto, fale com Deus hoje. Peça a Deus orientação e conselho, inspiração e força, paz interior e profunda Sabedoria. Peça a Deus no dia de hoje que nos mostre como deveremos nos manifestar para provocar uma mudança no mundo. Junte-se a todas as pessoas do planeta que estão orando agora, adicione sua luz à luz que dissipa todo o medo. Por favor, procure responder a esta questão hoje, com toda a sua magnificência. O que você pode fazer HOJE, neste exato momento??? O ensinamento central da maioria das tradições espirituais é: proporcione ao outro aquilo que você deseja para si mesmo. ALGUÉM ESTÁ ESPERANDO POR VOCÊ AGORA. ESTÁ ESPERANDO POR SUA DIREÇÃO, AJUDA, CORAGEM, FORÇA, COMPREENSÃO E CERTEZA NESTE MOMENTO. E, ACIMA DE TUDO, ESTÁ ESPERANDO POR SEU AMOR!!! Minha religião é simples!!! Minha religião é a BONDADE!!! (por Tenzin Giatso, o Dalai Lama)
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Imagem: JR Shot You

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Mídia e violência

Dados resultantes de pesquisas acadêmicas ou de levantamentos dos órgãos públicos, como as secretarias de segurança ou de organizações não-governamentais, têm indicado o vertiginoso crescimento dos índices de violência no Brasil e no restante do mundo. Diante desse fato, cabe o seguinte questionamento: o que a mídia tem a ver com isso?

O mundo está impregnado de violência nas mais variadas formas: a violência física, a violência do constrangimento moral, a violência do abuso do poder, etc. Embora a mídia cumpra seu papel de informar e esclarecer observa-se também essa mesma mídia como fonte instigadora de violência.
A televisão, por exemplo, denuncia quase diariamente casos de violência. Até aí nada de mais, afinal, isso faz parte do seu papel. Todavia, a própria programação televisiva é, em parte, responsável pelo crescimento da violência, sobretudo porque seus programas abordam a questão sem usar um critério que estimule a reflexão.

A violência tem sido sutilmente estimulada por conta da programação de baixo nível que vem sendo exibida na televisão, com o único intuito de aumentar o IBOPE. E nessa moda de ser sensacionalista, a onda de violência não escapa nem mesmo às emissoras que se dizem religiosas e que professam ser bom exemplo para as famílias cristãs. Temos entre essas a Rede Record que exibe ou exibiu diversos programas sensacionalistas, a exemplo do “A turma do gueto” e outros. Parece que a busca desmedida por audiência faz os programas explorarem cada vez mais a violência como principal atrativo. Chega-se ao cúmulo de se inventar conflitos pessoais, nos quais os envolvidos são estimulados a se confrontarem defronte as câmeras de TV, usando a violência verbal e até física como solução de seus problemas para, dessa maneira, aumentar os pontos no IBOPE, contribuindo, assim, para aumentar também o índice da violência na sociedade.

Se hoje somos obrigados a assistir guerra na TV como se estivéssemos diante de um videogame “irado”, fico pensando aonde vamos chegar após dez anos de exposição a esse tipo de programação. Afinal, qual é o papel da mídia? Será que é correto mostrar e escrever sobre violência sem usar critérios de informação? E qual o papel da sociedade diante da violência e do abuso de poder da mídia, que invade nossas casas, nossas vidas, obrigando-nos a degustar todas as formas de violência que nos são apresentadas nos meios de comunicação? A violência e a morte fazem parte da história humana desde os seus primórdios. Mas ultimamente esses temas vêm sendo tratados nos meios de comunicação e, principalmente, na programação televisiva dos canais abertos, com enorme banalidade. E é exatamente nesse ponto que está o maior e mais nocivo problema. É preciso refletir urgentemente sobre o que é mais importante: os pontos no IBOPE ou o bem-estar da sociedade (por Gina Carla Reis).
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Imagem retirada de sites de busca

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Tempo sagrado na minha Bahia

Santo Antônio, conhecido como o santo de Lisboa, por ter nela nascido, e também o santo de Pádua, por ter morrido nessa cidade italiana, é um dos santos mais populares e mais cultuados do Brasil. Batizado com o nome Fernando Martins de Bulhões, Santo Antônio torna-se franciscano por volta de 1220, ocasião em que muda seu nome de batismo. Aos 13 de junho de 1231 faleceu, sendo canonizado logo no ano seguinte. Durante os primeiros treze dias de junho ocorrem em todo o Brasil as trezenas de Santo Antônio, quando milhares de fiéis rezam e entoam cânticos em honra ao santo dos pobres. No Brasil Santo Antônio foi sincretizado com Ogum, Orixá do ferro, dos ferreiros e de todos aqueles que utilizam esse metal: agricultores, caçadores, açougueiros, barbeiros, marceneiros, carpinteiros, escultores. Foi padroeiro de Salvador até 1686, quando, por conta de uma epidemia de febre amarela que assolou a cidade, a população recorreu a São Francisco Xavier, que atendendo as preces dos fiéis foi elevado a patrono da cidade.
(por Sílvio Benevides)
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Imagem: Sílvio Benevides

Santo Antônio: Arauto de Cristo

O vídeo abaixo foi produzido especialmente para homenagear o glorioso Santo Antônio.
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Santo Antônio chega ao Brasil

Quis a Providência divina que o Brasil fosse descoberto por portugueses. Portugueses eram também os missionários e, por sinal, filhos de São Francisco de Assis, de modo que, desde os primórdios, colonos e índios estiveram em contato com a Ordem Franciscana, que se gloria de ser o Taumaturgo [quem opera milagres] um dos seus. Compreende-se que estes missionários propagavam a devoção a Santo Antônio, exaltando o seu poder de intercessão.

Os colonos, por sua vez, traziam na sua modesta bagagem a imagem do Grande Santo compatriota. Colocavam-na no seu tosco oratório e nas lidas pela existência, às vezes cruéis, levantavam as mãos ao Santo milagroso. Enterneciam-se diante da imagem os rudes desbravadores dos matos, os ousados bandeirantes.

Mal acabavam os colonos de fixar residência, juntando-se a outros em pequeno arraial, não tardavam em levantar uma ermida, uma capela em honra do Santo querido e com o tempo ela se transformava em matriz (V. Augusto Lima, A Capitania de Minas).

Quando, em 1745, se criou a diocese de Mariana, existiam nela 51 paróquias. Descontando as de Nossa Senhora (geralmente da Conceição) havia somente 17 de outros Santos, figurando Santo Antônio com 9, não tendo nenhum outro mais de uma.

Caso, porém, não se consagrasse a matriz a Santo Antônio, era obrigatório colocar a sua imagem no altar-mor ou num altar lateral próprio. Refere o cronista franciscano Frei Antônio de Santa Maria Jaboatão que não era raro haver mais de uma no mesmo altar e que nas casas particulares cada um queria para si o “seu” Santo Antônio.

No Rio de Janeiro, então, existia uma espécie de monopólio com relação ao Taumaturgo universal. Quando, em 1608, os franciscanos receberam da Câmara a segunda doação de terreno para fazer Convento, já funcionava uma confraria de Santo Antônio numa capela ao pé do morro. Pois convencionou-se que a confraria se suprimisse e que no futuro não houvesse na terra nem igreja, nem ermida, nem altar do Santo, senão no Convento a construir-se no morro. Era para dar maior incremento (raro, caro) ao culto. Daí vem que até os princípios do século XIX só havia uma igreja antoniana no Rio de Janeiro.

Não eram, entretanto, somente os lugares religiosos onde se tributava veneração ao Santo lisboense. Quiseram os nossos antepassados batizar com seu nome localidades, fazendas, fortalezas, rios, serras, botequins, lojas, boticas, açougues e até Agências do Correio. A respeito destas, soubemos que até há poucos anos existiam no Brasil 705 Agências denominadas de Santo Antônio, sobressaindo o Estado de Minas com 160. Freqüentemente leva o Santo um nome específico. Eis uma pequena, mas pitoresca relação: Santo Antônio da Roça Grande, do Ribeirão de Santa Bárbara, do Rio Acima, do Ouro Branco, da Casa Branca, da Balsa, da Vargem, do Monte, da Estiva, da Barra, da Casa de Sapê, da Casa de Telha, da Glória, da Alegria, e outras muitas.

A devoção do nosso povo a Santo Antônio não diminuiu através dos séculos. Dir-se-ia que cada vez mais aumenta, sinal dos tempos angustiosos que correm e obrigam a implorar a proteção do céu.

Damos em seguida uma breve relação de fatos atribuídos a Santo Antônio, que os nossos antepassados julgavam milagrosos. Colhemo-los em crônicas antigas, livros e manuscritos. É sempre interessante saber que tal ou tais fatos aconteceram na própria pátria.

1540 – Perto do Engenho de João Pais Barreto em Pernambuco, foi achada uma imagem de S. Antônio no alto de um morro. Fizeram-lhe uma capela. Outros moradores aí construíram casas; mas depois de acabadas desmoronaram. Tempos depois, uma devota fez no mesmo lugar uma casinha para estar mais perto no tratar da capela. Certa noite apa¬receu um vulto, lançando-a para fora. Dizia o povo: S. Antônio não quer vizinhos.

1595 – Tomando os franceses calvinistas a fortaleza de Arguim, na África, e destruindo tudo, conservaram a imagem de Santo Antônio. Colocaram-na num dos navios e diziam com ar de mofa: “Guia-nos, Antônio, guia-nos à Bahia!” Na travessia escarneceram com a imagem e cometeram muitos sacrilégios. Aconteceu, porém, a maior parte da tripulação morrer de doenças e todos os navios se dispersarem, menos aquele com a imagem, o qual chegou à costa do Brasil. Aí jogaram a imagem toda desfigurada na praia. Quando depois foram aprisionados e tiveram de andar a pé até à Bahia, encontraram a imagem em pé na areia, sem se descobrir vestígio de alguém ter por aí passado. A imagem foi recolhida à Bahia e Santo Antônio declarado Padroeiro da cidade. Ainda vive na Bahia a lembrança de “Santo Antônio de Arguim”.

1621 – No Convento do Rio, incumbiu-se um Irmão de fazer a imagem do santo Padroeiro, mas não acertava com a cabeça. Um belo dia ela apareceu na portaria, sem se saber donde tinha vindo. Esta imagem, com a cabeça separável, ainda existe num nicho na entrada do Convento.

1640 – Quando, em 1640, os ocupantes franceses e holandeses se aproximaram da ilha de Boipeba, ao sul da Bahia, nada tinham os moradores para se defender. Recorreram a Santo Antônio, orago da matriz, fecharam-na e foram observando a princípio o movimento do desembarque, daí a pouco viram o contrário. Ficaram livres sem atirar uma só flecha. Voltando à matriz encontraram a imagem de bruço diante de Jesus crucificado, como pedindo proteção. A ele, portanto, atribuíram o feliz desfecho.

1643 – Neste ano os holandeses ocuparam o reduto da “Casa Forte” de Pernambuco. Destruíram também a capela de Santo Antônio e caíram com golpes sobre a imagem. Como se ti¬vessem aberto chagas em carne viva, a imagem deitou sangue.

1645 – Na invasão holandesa foi ocupado também o Convento de Ipojuca. Expulsando os frades, transformaram o claustro em estrebaria. Ora, diversas vezes foi visto um Religioso, que, penetrando o claustro, com uma vara fustigava os cavalos e os enxotava para fora, em direção a Recife. Era Santo Antônio, que com sua atitude mostrava o que havia de acontecer em breve. O Convento realmente foi um dos primeiros a ser libertado quando começou a campanha da restauração.

1646 – Ia-se festejar a Santo Antônio em sua capela, quando, durante a noite, caiu o dossel de pano, colocando-se dobradinho aos pés da imagem. Tomaram isto como sinal do Santo que deviam arrumar as suas coisas e fugir. Fizeram-no e foi a salvação, porque na mesma noite o comandante holandês atacou com grandes forças toda aquela vizinhança. Achou somente casas abandonadas e não conseguiu prender o chefe da restauração Fernandes Vieira, a cujo encalço estava.


1650 – Em São Paulo ofereceram a Frei Gregório, esmoler, um boi bravo. Todos lhe tinham medo. Frei Gregório chamou-o em nome de Santo Antônio e o boi veio mansinho e acompanhou o frade ao pasto do Convento.

1708 – Na guerra chamada dos “Emboabas”, os paulistas eram sempre vencedores e não quiseram aceitar as condições que os portugueses ofereceram para se render. Estes então tentaram a última investida perto de São João del-Rei. Na muralha de seu fortim colocaram a imagem de Santo Antônio. Saindo na manhã do outro dia para dar combate aos paulistas, não encontraram a ninguém. Na imagem de Santo Antônio descobriram uma bala engastada no cordão.

1710 – Santo Antônio, cuja imagem esteve colocada na muralha do Convento, defendeu o Rio de Janeiro contra os franceses, o que lhe valeu a patente de Capitão de Infantaria.

1750 – Estando o grande missionário franciscano Frei Antônio do Extremo a andar a sós no interior de Mato Grosso, viu-se um dia cercado de uma vara de javalis. Na aflição recorreu a Santo Antônio, rezando o Responso. O efeito foi imediato. Um porco trincou-lhe a ponta da manga, deu uma dentada na caixa de rapé e foi-se e com ele todos os outros.

1750 – Num dos lados de uma ponte em Recife existia a imagem do Taumaturgo e uma caixinha de esmolas. Um dia foi violada por um soldado que se apossou de 480 réis. Querendo fugir, ficou imóvel, nem conseguiram fazê-lo andar os que depois passavam. Moveu-se, porém, recebendo ordem do Governador, que o mandou encarcerar e o remeteu para a ilha de Fernando de Noronha.

Nos seguintes Estados do Brasil, Santo Antônio tem patente de oficial do exército: Paraíba, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Minas, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás. Recebia antigamente também o soldo correspondente. Era uma esmola que entregavam geralmente aos Conventos Franciscanos para o culto do Santo, em agradecimento pela proteção que dispensava a suas armas.

Em 1754, o Senado da Câmara da Vila de Igaraçu (Pernambuco) pretendeu até fazer Santo Antônio vereador, com a propina de 27.000 réis. O rei não consentiu, mas autorizou que se desse ao Convento Franciscano da localidade a dita propina (por Frei Basílio Röwer).
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Referência: RÖWER, Basílio. Santo Antônio: vida, milagres, culto. Petrópolis: Vozes, 2001.
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Imagem: Sílvio Benevides

Dos escritos de Santo Antônio

“Já que a caridade é mais importante do que as outras virtudes, procuremos pôr em evidência alguns dos seus aspectos [...] O amor para com Deus e o amor para com o próximo são a mesma forma de amor, porque Deus é caridade, isto é, Amor. Este mandamento do amor, segundo o qual deves amar a Deus por ser quem ele é e de todo o coração e ao próximo como a ti mesmo, foi determinado por Deus e deves praticá-lo com a mesma intenção e pelo mesmo motivo pelo qual tens de amar a ti mesmo. Deves amar a ti mesmo dentro do bem e por causa de Deus; o mesmo deves fazer em relação ao teu próximo. E deves considerar como teu próximo todo e qualquer ser humano, porque não existe nenhum com o qual se possa proceder mal. o Como é que se deve amar a Deus? Assim: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, isto é, com toda a inteligência; com toda a alma, isto é, com a tua vontade; com toda a mente, isto é, com a memória, de maneira que concentres todos os pensamentos, toda a vida, toda a inteligência naquele do qual recebes o que lhe ofereces. Com o que acabou de dizer, Jesus não deixou livre, então, nenhuma parcela da nossa vida: tudo o que nos vier à mente deve ser dirigido para onde corre o impulso do nosso amor. São João, na sua primeira carta sobre o amor a Deus e ao próximo, nos apresenta muitas reflexões e nos convida a praticá-lo, dizendo: ‘Nisto se tornou visível o amor de Deus entre nós: Deus enviou o seu Filho único a este mundo para dar-nos a vida por meio dele’ (1Jo 4,9). Como foi grande o amor do Pai para conosco! Ele enviou para nós, para nos favorecer, o seu Filho unigênito, para que, vivendo por meio dele, também o amássemos. Porque ‘quem não ama, permanece na morte’. Se Deus nos amou a tal ponto que nos deu seu Filho dileto, por meio do qual tudo criou, também nós devemos nos amar mutuamente. ‘Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros’ (Jo 13,34)”

(In: Sermones I, pp. 397-398).
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Imagem: José Costa

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A copa 2014 é nossa! E agora, Salvador?

Ontem a FIFA anunciou as doze cidades brasileiras que serão sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014. São elas: Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Na terra do Senhor do Bonfim o anúncio foi comemorado no Pelourinho, com direito a show das bandas do Oludum e do Ilê Ayê; e também na partida entre Vitória e Grêmio pelo Campeonato Brasileiro no Barradão, com a participação da Ivete Sangalo e do Tatau, ex-Araketu. Depois da comemoração o que nos resta? Muito trabalho e algumas reflexões.

Como diz o Lucas Franco em seu blog Grande do Brasil nada mal para nosso ego saber que a cidade que gostamos atrairá os olhares de muita gente durante algum tempo. Bom também saber que ela ocupará para sempre um lugar na história do futebol internacional, principalmente se alguma partida aqui realizada passar “a ser rotulada de A batalha de Salvador”, tal qual “foram rotuladas de batalha de Berna em 1954 e batalha de Nuremberg em 2006”. Tudo isso é muito bom, mas é preciso considerar outras questões.

Salvador é uma cidade que tem graves problemas de infra-estrutura, desde saneamento básico até segurança pública, passando por transporte, saúde e preservação das ruas e avenidas. Sem falar na incompetência dos nossos dirigentes e na corrupção política e de toda ordem que se materializa na forma de obras superfaturadas que, por sua vez, geram atrasos exaustivos de cronograma como aqueles do metrô, motivo de chacota de toda espécie. São grandes as providências e os problemas. Estaremos preparados para enfrentá-los e superá-los? Um evento do porte da copa do mundo atrairá, sem dúvida, grandes investimentos e a cidade ganhará muito dinheiro com isso. Os recursos gerados com a festa se reverterão, de fato, em benefícios para a população da cidade? Ou acontecerá como o carnaval, uma festa que gera bastante recurso para Salvador, mas estes, na prática, pouco (ou nada) acrescentam para a melhoria da vida cotidiana de milhões de soteropolitanos. Que opção faremos: seremos vitrine ou vidraça? É o que pergunta o dossiê elaborado pelo Sinaenco – Sindicato Nacional da Arquitetura e Engenharia. De acordo com o Portal Copa 2014, “Os desafios começam em problemas triviais, como o abominável hábito nacional de despejar o lixo nas ruas, ou usá-las como sanitários púbicos, até o atraso nacional na área de estradas, aeroportos transportes públicos, energia, telecomunicações ou saneamento. Os problemas envolvem questões de educação, segurança, saúde e, especialmente, as dificuldades de algumas cidades para manter os futuros estádios e evitar que se transformem em elefantes brancos”. Os questionamentos e desafios estão postos. E agora, Salvador? (por Sílvio Benevides).